Sem Emenda

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segunda-feira, maio 31, 2004

Júbilo

Juro que chorei quando soube disto.

quarta-feira, maio 26, 2004

Mal-agradecido

Durão afirmou que o PCP será o principal responsável por eventuais situações de insegurança durante o Euro. Durão é, manifestamente, um mal-agradecido. O PCP é uma instituição que devia ser acarinhada por todos, pelos memoráveis (e insuperáveis?) momentos de humor que nos tem proporcionado na cena política portuguesa.
Imaginam o que seria o nosso Parlamento sem aquela chusma de arlequins?

Kerry e as sondagens

Caro Vítor,
fui ultrapassado pelos acontecimentos. Com efeito, nas últimas sondagens, Kerry surge à frente de Bush. Por uma margem mínima, saliente-se. Será contudo, suficiente para sair vencedor em Novembro? Duvido. Mais: esta aproximação de Kerry nas sondagens não é por mérito do democrata, mas por demérito de Bush. Por outras palavras, para o eleitorado norte-americano, Kerry é visto como o mal menor em relação a Bush.
E isso, politicamente, não é vitória nenhuma.

FCP/Mónaco

Ao contrário de meio Portugal, desconheço onde fica Gelsenkirchen. Consta que é na Alemanha.
De qualquer maneira, a final da Liga dos Campeões promete ser animada. O Porto tem uma moral forte, mas o Mónaco possui um contra-ataque temível. Qual deles sairá vencedor, não sei. Pessoalmente, gostaria que o Porto ganhasse.
Nem que seja para não ter de ouvir as lamúrias do Mourinho no final do jogo.

Such a drag, Queen

Como qualquer burgesso, eu não percebo a monarquia. No entanto, percebo as vantagens da monarquia. Num relance pelo mapa da Europa, é fácil concluir que os países mais avançados, de maneira geral, ainda preservam as respectivas monarquias.
Para além disso, nalguns casos, há evidentes vantagens estéticas. É vermos o exemplo da futura rainha espanhola, por oposição à nossa Primeira-Dama.
Eles têm uma Letizia. E nós temos uma…

Doces ilusões: esclarecimentos

A primeira vez que fui apodado de «fascista» foi, imagine-se, numa aula de inglês, quando me atrevi a apontar algumas (maltinha sensível, atenção ao negrito, s.f.f.) críticas ao 25 de Abril.
Ontem, depois de ter exposto alguns dos abusos efectuados no período imediato à Revolução, recebo esta solene mensagem:

tens razão
vamos voltar ao 24 abril e a maravilha economia que tinhamos
claro que tens de levar com o analfabetismo, mortalidade infantil ah e falta de libaerdade de expressão
o teu argumento é igual aqueles que dizem que o hitler tb fez coisas boas
é obvio que houve excessos no PREC, mas julgo que antes houve muito mais e pior
escre sobre isso e depois a malta fal até lá cresce e informa-te

Dois comentários:
1. só porque decidi apontar algumas (novamente chamo a atenção do negrito) críticas ao que se passou após o 25 de Abril não implica que eu seja contra o 25 de Abril, ou que me reveja no Salazarismo. Para todos os efeitos, o 25 de Abril simboliza o fim de uma ditadura miserável (como qualquer ditadura, de resto) e o início de uma democracia. Democracia que, com todos os seus defeitos, é inequivocamente melhor do que a ditadura que nos regia.
Agora, isso não me impede de escrever sobre abusos que foram realizados após a Revolução. Considerar o que se seguiu ao 25 de Abril como um período imaculado e perfeitamente pacífico, isento de crimes e abusos, é uma completa infâmia.
É esse tipo de atitude fundamentalista que faz com que todos os crimes que foram cometidos na sequência da Revolução sejam sistematicamente omitidos.
25 Abril é uma data histórica, mas longe de inocente.
2. “Cresce e informa-te”. Sublime comentário. Pois, meu caro, é exactamente isso que tenho tentado fazer. Com esforço inglório, diga-se. Por enquanto, só pude contar com testemunhos pessoais, já que a historiografia portuguesa decidiu não tocar nesta matéria delicada.
Belo sintoma, de facto…

terça-feira, maio 25, 2004

Doces ilusões

Esta rapaziada não pára. Agora, imaginem, estão a meter-se com o PREC. Tudo por causa de alegadas torturas feitas no pós-25 de Abril. O que se seguirá? Acusar os comunistas de pilharem património alheio de forma violenta e indiscriminada? Referir que os meninos correram literalmente à cacetada inúmeros jornalistas das respectivas redacções, condicionando assim a liberdade de imprensa (chegando mesmo a proibir a venda de revistas de automóveis estrangeiras, por estas serem um símbolo burguês)?
Já agora, mencionar o descalabro económico resultante da nacionalização das grandes empresas e da própria Banca? Ou mesmo, falar da ruína em que esta canalha lançou o sector agrário?
A boa gente da Esquerda ainda acredita piamente que Abril só trouxe virtudes.
Deixemo-los, pois, entretidos com as suas ilusões.

sexta-feira, maio 21, 2004

Kerry acabou

Corre uma animada discussão sobre quem será escolhido para Vice-Presidente de John Kerry. Fala-se de Robert Menéndez. John Edwards também parece ser opção.
Pessoalmente, considero inútil dissertar sobre a matéria. John Kerry e a sua campanha são um caso arrumado. Kerry, para além de ser uma figura hórrida, digna de um pesadelo, não consegue cativar o público norte-americano. É monocórdico nos discursos, vago e ambíguo nas ideias e completamente desprovido de humor. Consta que é bom nos debates, mas isso não chega.
As sondagens mostram que Kerry, apesar dos deslizes de Bush, não consegue aproximar-se do candidato republicano. Até a oportunidade de se chegar a Bush durante o aumento dos preços dos combustíveis foi desperdiçada.
Para culminar, as suas ideias em relação ao Iraque são muito similares às de Bush – para total exaspero do eleitorado democrata.
Kerry acabou. Só não vê quem não quer.

Amílcar who?

Amílcar Theias saiu do Ministério do Ambiente. A Esquerda aplaude efusivamente. Não percebo porquê. Ninguém, incluindo a Esquerda, sabe quem é Amílcar Theias.
Muito menos o próprio Amílcar.

Para cima e para baixo

Parece que a Feira do Livro está de regresso. Eu, que sempre gostei de exercitar as coxas e os gémeos, não vou perder o evento.

O que está na moda

O que se passa em Abu Ghraib é repulsivo, condenável e perfeitamente criminoso. E, acrescente-se, é o que está na moda.
Experimentemos saber o que se passa nas prisões de Cuba ou da Coreia do Norte, e deparamo-nos inevitavelmente com o vácuo.
Abu Ghraib está na moda. Cuba e Coreia do Norte nunca estarão na moda.

quinta-feira, maio 20, 2004

Às voltas

Dia animado na faculdade. No meio de garrafas de cerveja, despojos de charros e grasnares angustiantes de Manu Chao, realiza-se a segunda volta das eleições da associação de estudantes.
Não que eu tenha algo contra a realização de uma segunda volta.
O mal foi ter havido uma primeira.

Salvação da Pátria

Juro que não sei como é que estas coisas sucedem. Abro o e-mail e deparo-me com isto:

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Más recordações

Há quem tenha o desagradável hábito de lembrar aos outros coisas que eles, decididamente, não desejam recordar. Vasco Rato é uma dessas pessoas. Ontem, por exemplo, lembrou à blogosfera quem foi Pol Pot e, de forma sucinta, de que maneira culminou o seu altruísmo comunista. Na altura, a União Soviética e a China aplaudiram entusiasticamente as prodigalidades do senhor Pol Pot. O Camboja também – acabou por ficar com apenas dois terços da sua população, o que é sempre uma vantagem para um país dominado pela fome e miséria.
Com isto tudo, Vasco Rato foi tocar numa matéria que a própria historiografia universal tem manifesto receio de mencionar.
Já para não falar nesta maltinha.

quarta-feira, maio 19, 2004

Santana: alguns esclarecimentos

Um íntimo de Santana Lopes insurgiu-se contra aquilo que escrevi sobre o autarca.
Já pedi desculpas pelo facto.
E, claro, não explicitei o estado em que Lisboa foi deixada tanto por João Soares como pelo actual Presidente da CML. Quem circula em Lisboa, sabe do que falo. Obviamente, não é o caso do íntimo de Santana Lopes, que, por sorte, nunca veio à capital e apenas conhece Lisboa através dos postais que lhe enviam para a sua santa terrinha.
Quanto ao facto de me acusar de exibir "masoquismo de tornar público a senilidade prematura", deixo apenas uma dúvida existencial: quem é mais masoquista? Aquele que torna pública a senilidade prematura, ou aquele que a consome de forma sôfrega e descontrolada?

A parolice, segundo Santana

O país insiste em querer saber se Santana Lopes se candidatará à Presidência da República. O nosso Santana, seguido por uma caterva de jornalistas babados, lá respondeu que dirá no Congresso “qual a altura que acha indicada para se começar a falar das presidenciais.”
Isto, só por si, define o autarca da nossa capital: um pavãozinho parolo que se passeia no meio das ruínas da cidade que ele anda alegremente a delapidar, a falar de um cargo que nunca ocupará.

Terror combate-se com horror

A três dias do casamento real, os espanhóis temem que haja um atentado terrorista durante a cerimónia.
Pessoalmente, não vejo porquê. Se as autoridades colocarem Maria José Ritta perto dos noivos, não haverá hipóteses para os terroristas.

Cá se fazem, cá se pagam.

O template do meu blog deu, temporariamente, o berro. Por agora, não passou de um susto.
Da próxima, talvez não me safe.

terça-feira, maio 18, 2004

Menos de uma semana: primeiros balanços

Alguns dementes visitaram esta choldra. Já há comentários. E, contra as indicações médicas, o Mr. Vertigo linkou esta página (que sinistra insistência em querer ler as inanidades debitadas pela minha pessoa…).
A todos, as melhoras, e vejam se arranjam vida própria, por favor (esta gente não tem emenda).

Tróia

Fui ver o Tróia. Que desilusão, meu Deus! Banda sonora catastrófica, diálogos indigentes. Do elenco, só Peter O’ Toole se safa. Orlando Bloom acabou para o cinema – até o Cavalo de Tróia estava mais expressivo que o rapazinho. Quanto a Brad Pitt, o desastre foi total. É inexpressivo, desarticulado e rosna em vez de falar.
Enfim, a vontade de repetir a dose é nula.
A não ser, talvez, para voltar a ver a Helena (ah, pois é).

segunda-feira, maio 17, 2004

Ensaio Sobre a Lucidez

José Magalhães, na inominável Quadratura do Círculo, diz que António Champalimaud foi beneficiado pela Revolução de Abril.
Com este solene adágio, José Magalhães conseguiu apagar o sinistro 11 de Março de 75, que, literalmente, roubou todas as empresas de Champalimaud, obrigando-o a emigrar para o Brasil e a começar a vida do zero.
Quando regressou a Portugal, ainda teve a sorte de ter o governo de Guterres a sabotar os seus negócios.
José Magalhães é um trágico exemplo da tortuosa e perversa opinião que é forjada neste país inconcebível.

É só tolerância

Segundo uma reportagem da SIC Notícias, os gays palestinianos são perseguidos pelo seu próprio povo, devido às suas tendências sexuais. Os familiares ameaçam-nos de morte ou sugerem-lhes o suicídio. Este clima de repressão faz com que inúmeros homossexuais fujam da Palestina para solo israelita.
Quem diria? A doce e civilizada Palestina que, segundo as almas bem-pensantes, interessa preservar em detrimento da intolerante e opressora Israel...

E agora, a festa

Juntei-me aos milhares de selvagens que invadiram o Marquês de Pombal. Levei comigo uma velha corneta dos trágicos idos de 1910, capaz de produzir uma sonoridade de três buzinas de camião juntas.
Comecei a noite rouco e acabei afónico. E feliz.

Final da Taça: algumas considerações

Primeiro, o Benfica. Podia ter arrumado o jogo nos primeiros minutos, com três oportunidades escandalosas de golo. Não as aproveitou e acabou por sofrer um golo.
Dominou a segunda parte e, embora fizesse um prolongamento medíocre, acabou por ganhar.
Miguel. Rápido, incansável. Um dos melhores.
Luisão. Não foi, não é e, seguramente, jamais será jogador de futebol.
Fyssas. Teve sorte ao marcar o golo.
Petit. Com o aspecto de quem esteve recentemente a combater em Bagdad, registou uma exibição fantástica.
Simão. Marcou o golo da vitória e foi fulcral no desgaste da defesa do Porto.
Nuno Gomes. Incrivelmente conseguiu fazer um jogo perto do razoável. Grandes progressos.
Fernando Aguiar. Consta que foi o seu último jogo pelo Benfica. É pena. Fernando Aguiar era instituição a preservar e, se possível, para fazer escola. É forte, duro, feio e altamente violento. Os ingredientes que bastam para pôr a equipa adversária em sentido.

O Porto teve, no máximo, três oportunidades de golo durante o jogo inteiro. Marcou um golo e mandou uma bola ao poste. Não terá hipóteses contra o Mónaco.
Jorge Costa. Bem expulso. Tardiamente, diga-se.
Nuno Valente. Em condições normais, seria encarcerado. Há esperanças que um dia alguém se lembre de enterrar os cotovelos na sua cabecinha.
Costinha. Uma perfeita nulidade.
Maniche. Ladrou mais do que mordeu. Preocupantes sinais de cansaço.
Deco. Capaz do melhor e do pior. O jogador mais talentoso em campo e, simultaneamente, um autêntico trapaceiro. Quando terminar a carreira de futebolista, terá muito tempo para se dedicar à natação ou, quiçá, ao teatro.
Derlei. Claramente padece de disfunção eréctil. Daí que compense as suas frustrações com extrema violência e inqualificável histeria.

Quanto ao árbitro, concordo com as palavras de Mourinho: foi uma farsa. Inventou uma falta que deu origem ao golo do Porto, não expulsou, na primeira parte, Jorge Costa, Derlei e Maniche, assinalou dezenas de faltas inexistentes a beneficiar Deco e esqueceu-se da cotovelada infame de Nuno Valente a Geovanni.

Uma última nota: depois de ver o verniz de Mourinho a estalar, decidi que irei torcer pelo Mónaco. Tolero arrogâncias; perversões, já não.

sexta-feira, maio 14, 2004

Mais calma com a democracia!

Alberto Gonçalves é vítima de queixas várias pelo facto de ter incluído comentários na sua página. O Alberto já devia saber que proporcionar liberdade de expressão aos nativos de um país com pouco tempo de democracia é um gesto pouco prudente.
Que diabo, só andamos nisto há 30 anos!

Só coerências

Pouco importa a validade das fotos dos prisioneiros iraquianos. Para mim, realmente interessante é comparar este alarido global contra as torturas (sórdidas, convenhamos) efectuadas por militares americanos e ingleses com o silêncio demolidor em relação às execuções sumárias, valas comuns e campos de concentração que faziam as delícias do filantropo Saddam.
Ai, ai, tanta coerência também é demais…

Lá como cá...

“Jornalista é como o resto da população brasileira: bastante abjecto. E o nosso único desejo é arrumar um carguinho modesto numa repartição pública.”

Diogo Mainardi, Manhattan Connection