Sem Emenda

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sexta-feira, julho 30, 2004

Triste realidade

"Comprar livros seria uma boa coisa se pudéssemos comprar também o tempo para os ler: mas, por norma, a compra de livros é confundida com a apropriação do seu conteúdo."

Arthur Schopenhauer

Immaterial girl

Madonna é um caso de estrondoso sucesso no mundo da música desde há cerca de vinte anos para cá.
O fenómeno espanta ainda mais se pensarmos que, de tudo o que a senhora fez na vida, nada teve a ver com música.
Realmente admirável.

Uma campanha alegre

Ouvi os primeiros dois minutos do discurso de Manuel Alegre e confirmei as melhores expectativas: o País vai mesmo para o charco.
Entretanto, preparava-me para continuar a escutar o poeta Alegre, quando um dos meus cães fitou-me com um olhar de súplica.Tive pena do bicho e mudei para o karaoke da SIC Radical.
Do mal o menos, pensei eu.

Shame ONU

Esta é a prova de que a ONU não passa de um clubezinho onde se palra incessantemente, sem se tomar decisões que não podem tardar.
Darfur que espere. A rapaziada ainda tem muita conversa para pôr em dia.

PT non-stop

A menina conversa sobre vacuidades ao telefone, em tom empolgado. O pai entra no quatro e interrompe o telefonema. A filha desculpa-se, assegurando o pai que o telefonema irá cessar de imediato. O pai, porém, diz que não há problema, que o telefonema pode prosseguir. A questão é que a filhota, coitada, já está ao telefone há dez horas seguidas, sem comer.
Honestamente, nunca uma publicidade esteve tão distante da cruel realidade em que vivemos.
Perfeitamente inverosímil.

quinta-feira, julho 29, 2004

Um mundo à parte

As praias da Caparica às 8:30 da manhã são um mundo diferente, um mundo civilizado, um mundo à parte. Àquela hora, há poucas pessoas. Pessoas diferentes, pessoas civilizadas, pessoas à parte. A água do mar é cristalina e o som das ondas é perfeitamente audível.
Àquela hora, a praia ainda está a salvo das turbas de selvagens, desvairados por «sandochas», «bejecas», «jogatanas», entre urros medonhos e a incondicional obsessão pelo «bronze».
Por breves momentos, temos a sensação de estarmos num país civilizado. Num mundo à parte.

Silogismo básico

Este Governo concluiu que Portugal não tem meios para combater os incêndios;
Este Governo recusou ajuda de três países estrangeiros para o combate aos incêndios;
Logo, este Governo não está minimamente interessado no combate aos fogos.

P.S. alguém sabe como é possível levar à Justiça este bando de criminosos?

quarta-feira, julho 28, 2004

Auto-estima vs auto-preservação

A Nação acordou do sonho do Euro para o pesadelo dos incêndios. As exactas pessoas que se entretiveram a agitar a nossa bandeira durante o mês de Junho, respirando orgulho nacional, andam agora desvairadas a tentar apagar o fogo do quintal e a salvar os poucos pertences que ainda restam.
Provavelmente, é nestas alturas que fazia mais falta um Canadair do que um estádio de futebol.
Ou será que a auto-estima vale mais que a auto-preservação?

terça-feira, julho 27, 2004

Descubra as diferenças

Dois brasileiros conversam animadamente na rua, entre copos, garrafas e urros vários. Não que isso me incomode muito, à excepção de serem três da manhã.
Telefono para o crónico 112 e peço que removam as duas avantesmas da calçada para que o meu sono, entretanto interrompido, possa prosseguir com normalidade. O senhor que me atende diz-me que, tratando-se de uma «situação de ruído», não pode fazer nada. Perante a minha perplexidade, acrescenta que se trata de uma «situação emergente» e não «urgente». Eu, que sempre me deliciei com tertúlias de Semântica, nomeadamente a tardias horas da noite, agradeci a ajuda e o esclarecimento e desliguei o telefone.
Fiquei, porém, com uma dúvida técnica: e se eu tivesse ido lá abaixo com o bastão de basebol rachar as cabecinhas dos dois meninos, a situação continuava a ser «emergente» ou já passava a ter carácter «urgente»?

The horror, the horror

Manuel Alegre prepara-se para ser líder do PS e, por arrastamento, líder da Oposição.
Não bastava termos um pândego como Primeiro-ministro, agora passamos a ter um jogral como principal alternativa.
O País está irremediavelmente perdido.

Escuso de repetir

Como dizia o velho Groucho, não estou interessado em juntar-me a um clube que me aceite como membro.

segunda-feira, julho 26, 2004

Coragem é relativa

Sobre as touradas, a Viera do Mar já disse praticamente tudo o que havia para dizer.
Sobre os toureiros propriamente ditos, só tenho um comentário: enfrentar montado a cavalo um animal atordoado, ferido e às portas da morte não é manifestação de coragem, mas sim de cobarde barbarismo.
Coragem, coragem, é enfrentar, a pé e desarmado, um bichinho destes. Ou então um destes.
Isso sim, é que é coragem.

Inferno II

E já que falamos em irresponsabilidade criminosa, permitam-me colocar a seguinte questão: para quando o julgamento dessa escandalosa avantesma chamada Figueiredo Lopes?

Inferno I

Com défice de bombeiros, pagamentos em atraso, falta de equipamentos e infra-estruturas, defeituosa prevenção e tratamento das matas, alguém se pode espantar com o cenário dantesco que retornou ao País?


sexta-feira, julho 23, 2004

Isto é que é um país

Mantorras foi ontem detido e interrogado, por alegadas irregularidades no seu passaporte. Ainda bem. Mantorras, um facínora de um angolano, imigrante ilegal, reputado criminoso, líder de um notório gang na área de Benfica, com apreciável cadastro por actos de vandalismo, roubo e extorsão, já há muito que merecia ser entregue às malhas da Justiça.
Claro que ainda falta ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras deter e interrogar mais uns bons milhares de imigrantes ilegais.
Mas por agora, apreciemos a espantosa eficácia das autoridades portuguesas ao marcar essa ameaça pública chamada Mantorras.
Finalmente, o País respira mais segurança.

Deixem ficar as bandeiras

Carlos Marques de Almeida assina um texto exemplar sobre a súbita onda de patriotismo que invadiu o nosso país aquando do Euro. Concordo com todo o artigo, excepto com a sugestão de retirar as bandeiras. Pelo contrário: deixem ficar as bandeiras. As bandeiras foram colocadas pelo orgulho que as pessoas têm na selecção? Óptimo! Então e os atletas paraolímpicos? E os judocas? E os atletas de decatlo e triatlo? E os atletas de natação? E os jogadores de ping-pong? E o Pedro Lamy? Não há orgulho nesta gente?
Retirar agora as bandeiras apenas irá provar que todo este “súbito patriotismo” e "orgulho nacional" não passou de um circo.

Singela questão

Onde estão a ONU e o Bloco de Esquerda quando estas coisas acontecem?

Relance da Alma de Wenceslau

Hoje, o Independente publica uma compilação de crónicas de Wenceslau de Moraes. O senhor, amplamente ignorado na nossa literatura, é, porém, um nome que o Japão muito acarinha.
Ainda hoje, por exemplo, a escrita de Wenceslau de Moraes é admirada pelos Japoneses, pela sua simplicidade estilística e por uma profundidade de espírito sem paralelo.
Transcrevo aqui o prefácio do Relance da Alma Japonesa, que mostra bem o grau de humanidade de Wenceslau de Moraes:

Aos meus amigos desconhecidos

Amigos desconhecidos, todos os homens que escrevem livros os têm, ainda aqueles mais humildes em suas profissionais habilidades; há talentos para todos os gostos, como há gostos para todos os talentos. Uns e outros não se conhecem, nunca se viram, nunca se escreveram, ignoram-se; cruzando-se por acaso na rua, embuçados nas suas amplas capas de anónimos, passarão indiferentes uns pelos outros. No entretanto, os amigos desconhecidos sabem os nomes dos seus autores preferidos, guardando-os à parte de outros livros, em lugar privilegiado; e, em horas que chegam a toda a gente, em que o isolamento apetece no silêncio do gabinete, quando o espírito quer vaguear em sonhos, serão tais livros que com frequência se folheiam, a fim de reter duas ou três páginas mais queridas. Os autores nem os nomes dos seus amigos desconhecidos conhecem, mas pressentem-nos, adivinham-nos; e – vá de barato a cortês banalidade com muitas dedicatórias se improvisam – é a eles, aos amigos desconhecidos, que os autores se dirigem em pensamento, numa curiosa e patética simpatia de irmãos, que jamais, todavia, se cingirão em abraços.
Aos meus amigos desconhecidos dedico este livro.

Wenceslau de Moraes
Tokushima, Setembro de 1925

quinta-feira, julho 22, 2004

Vive la France?

Para aqueles que desejam saber no que consiste a mentalidade do povo francês, é estarem atentos ao tratamento de alguns espectadores a Lance Armstrong na Volta a França. Apupam, gozam, ameaçam agredir e chegam mesmo a colocar cartazes com referências pouco simpáticas ao cancro que Armstrong conseguiu vencer.
Isto define bem o carácter dos Franceses: um carácter rancoroso, doentio, obsceno e completamente desumano.
 
P.S. Oxalá Armstrong vença a Volta. Será a sexta bofetada de luva branca.

Sedentarismo

Descobri mais um blog que, curiosamente, está no activo há quase um ano. Vale a pena a visita.
A escrita? Cinco estrelas.

Rir é o melhor remédio

No meio do caos de jornais e revistas que herdei da minha tia, desenterrei uma velha crónica de Millôr Fernandes. Fica aqui a transcrição da pérola (para as alminhas que se impressionam muito com a violação de direitos de autor, é melhor virarem a cara para o lado):

A Grande Injustiça, por Millôr Fernades
 
Meu caro Tarso de Castro, só agora leio seu artigo da “Última Hora” mostrando a total injustiça da vitória do Fluminense no campeonato da cidade. (É da cidade, só? Parece até que foi do mundo!)
Quero dizer que estou plenamente de acôrdo com você. Dada a fibra, a técnica, a total superioridade do Flamengo sôbre o Fluminense, a vitória dêste sobre aquêle só se admite dentro da péssima estrutura do futebol, que permite às vêzes, a um time incrìvelmente mais fraco, vencer outro, visìvelmente mais forte. Aliás, dada a incomparável e incontestável supremacia do Fla sôbre o Flu, não sei mesmo sequer a motivação do Jôgo. Todos concordam que o Flamengo é infinitamente melhor, inclusive eu. A partida não é para saber isso? Mas, se já se sabe, por que a partida? Entregar-se imediatamente a taça ao Flamengo seria economizar dinheiro, evitar o aborrecimento e o incômodo de 200 000 pessoas que enfrentam todos os contratempos – um dêles: as barreiras alfandegárias do tráfego do Dr. Celso Franco – para chegar ao Maraca. E, sobretudo, evitar essa incrível injustiça que é colocar o Fluminense em campo. Porque em campo, êle vence. Assim não é possível.
Pois, como você muito bem examinou, na última partida, o Flamengo foi infinitamente melhor (o adjetivo, em se tratando do mengo, é maior, eu sei!). Jogou mais, seus artilheiros artilharam mais, seus defensores defensaram mais, seus armadores armadaram muito mais. Mas aí vem o comêço da Grande Injustiça. Os seus penaltistas também penaltizaram muito mais. Como as regras retrógradas das Fifas do mundo proíbem o penalty ou o Foul (que, evidentemente, deveriam ser tão válidos no Soccer como o blêfe é no pôquer; você já pensou naquele nosso pôquer sem o seu blêfe?), o Flamengo sempre fica atrapalhado. O futebol, esporte de machos, feito para ser jogado violentamente com os pés (como recomenda o psicanalista da café-society, o Dr. Scholl), passou a ser encarado apenas como um joguinho de damas, um passinho pra cá, outro passinho pra lá, onde qualquer canelada, joelhada ou pontapé nos lagos são considerados puníveis com expulsão. ora, como o time do Fla é infinitamente mais másculo do que o do Flu, claro está que terá sempre mais jogadores expulsos. O onze Fluminense, umas damas, ficará sempre íntegro em campo e ganhará a partida. Sobretudo se quando, como você analisou muito bem, o jôgo é arbitrado por um juiz delicadinho como o Armando Marques. E é aqui que me falha o talento, sinto que não tenho veemência suficiente para aplaudir mais. Eu gostaria de ter a eloqüência de um Tarso (já não digo a do Castro mas a do Torquato) para invectivar os que continuam a escolher juízes pela técnica de arbitragem, pelo conhecimento das regras, pela determinação de fazer cumprir a Lei Específica. Meu Deus do céu – assim o Futebol acaba! Os juízes têm que ser escolhidos pela sua (dêles, naturalmente) masculinidade. E então, é evidente, todos concordamos no Juiz dos Juízes. Mário Viana. Porque essê, sim! Furioso, certa vez, com a reação da torcida no campo do Botafogo, ficou em frente à geral, pôs as mãos nas cadeiras, e desafiou tôda a torcida para a briga. Isso é que é árbitro! Não o Armandinho, meu amigo lá da Saúde, que já confessou até – aqui mesmo na VEJA – que uma vez saiu escondido do campo. Quer dizer, não teve a hombridade de enfrentar 100 000 ou 200 000 pessoazinhas ali no tapa. Pode? Não pode.
Olha, Tarso, está terminando o meu espaço regulamentar, e eu não posso juntar mais argumentos a teu favor (isto é, do Flamengo). Mas, finalizando: é fundamental acabar definitivamente, no Futebol, com essa coisa superultrapassada: a aferição do valor dos times pela contagem dos gous (Revisão, nada de gôlos!). Isso é que é a injustiça das injustiças. Isso é que é um critério feito deliberadamente para ajudar o Fluminense e esmagar os outros times; contando gous é claro que o Fluminense ganha. Porque, você viu, e milhares de pessoas viram, no último Fla-Flu. O Flamengo partiu, driblou, armou, encurralou o Fluminense durante dez minutos. Venceu-o espetacularmente! E o que aconteceu? O Fluminense foi e, num contra-ataque bôbo, de sorte única (Têle aliás tinha avisado: “contra-ataquem que a sorte ajuda”), numa pura bamburra, vai e mete um gol. E bastou a sorte bafejar três vêzes o Fluminense (contra as duas vêzes em que, numa operação matemática do mais alto rigor científico, o Flamengo marcou dois gous) para que noventa minutos de técnica cibernética fôssem anulados por três minutos de superioridade metapsíquica.
Olha, Tarso, ou se acaba com o critério dos gous ou o futebol está morto. Tem que ser consenso. Terminado o jôgo, a mesa redonda do Nelson e do Scassa se reúne e diz quem ganhou. Ou se bota uma urna na porta do campo e a torcida diz quem ganhou. Depois se divide tudo por 3,1416, se deduz o impôsto progressivo e se fazem os proclamas. Aí você vai ver que o Flamengo será tratado com a justiça devida. Ou, digo melhor, misericórdia?
 
P.S. – O Torquato é Tasso, mas entrou bem no lance.
M.F.

Millôr Fernandes, em Veja, 9 de Julho de 1969



quarta-feira, julho 21, 2004

A verdade dói

O Sr. Michael Moore tinha toda a razão. É só visitarmos este site para percebermos porquê.
Maldito Bush, maldito Cheney, maldito Rummy, malditos EUA.
E pobre Saddam.

Via Pedro Pelichos.


Ciclo Marxista

Ontem cheguei a casa ao fim da tarde, preparei o lanche, enchi uma taça de gelado e fiquei até às tantas a ver estes três filmes.
Animal Crackers é um bom filme, mas é superado por Horse Feathers (especialmente nas partes em que Groucho dá uma aula de anatomia e quando, no final do filme, os quatro irmãos têm de participar num desafio de futebol americano – com Chico e Harpo a jogar às cartas e com Groucho a fumar e a ler um jornal no meio do relvado).
Duck Soup (cujo paroxismo é alcançado nos derradeiros minutos da película, onde os quatro se encontram num cenário de guerra), continua a ser a obra-prima, pelo nonsense genuíno e pelas gags históricas.
Simplesmente genial.

Mais boas notícias

Este é o senhor que nos governa.

Não há direito!

Em Israel não se vive democraticamente. Em Israel, os Árabes são oprimidos. Em Israel, os Árabes não têm direitos.
E, pior, de vez em quando acontecem coisas destas...

terça-feira, julho 20, 2004

Boas notícias

Vendo bem, também já só faltam dez anos...

Ciber-escritas

Na blogosfera há centenas de escribas com excepcional qualidade. Os meus preferidos? Pela coragem e frontalidade, Senhor Vertigem, Vieira do Mar e António B. Caldeira. Pela lucidez e interesses eclécticos, BOS, Ricardo Gross e MacGuffin. Pelo humor e camaradagem, estes e mais estes degenerados. Pelos pensamentos e escrita propriamente dita, O Silva e Hridaya.

O futebol de hoje

Germano morreu na semana passada. O acontecimento, para variar, passou ao lado da imprensa nacional. Típico. Como é óbvio, a imprensa não quer saber de ex-atletas que envelhecem, adoecem e que acabam por morrer.
O que realmente está na moda é o incessante circo de transferências de jogadores, aturadas sessões de autógrafos, reverentes conferências de imprensa em discurso grave, monocórdico e, de preferência, na terceira pessoa, cabelos compridos e invariavelmente sebosos, novelas escabrosas envolvendo esposas semi-analfabetas, já para não referir a enjoativa catadupa de publicidades a Galps, McDonald’s, Pepsis e, imagine-se, a detergentes para roupa.
 
P.S. o meu pai garantiu-me que a melhor exibição de um defesa central em toda a história do futebol foi realizada por Germano nos últimos 45 minutos da final da Taça dos Campeões Europeus, entre Benfica e Real Madrid, em 62.
Comprei o DVD, assisti ao jogo e confirmei as melhores expectativas: Germano era um atleta invulgar, insuperável na defesa, imprescindível no auxílio ao meio-campo e perigosíssimo no ataque.
O mundo do futebol ficou mais pobre.

Experiência-limite

Esperar pelo metro e ouvir Holding out for a hero, da Bonnie Tyler.

segunda-feira, julho 19, 2004

P.S.

Sócrates está disposto a fazer ressuscitar o PS e formar uma oposição que seja digna desse nome? Aplaudo.
Contudo, devo confessar que me repugnou todo o show-off à volta das candidaturas, dando a sinistra (e completamente falsa) ideia de que a Nação se encontrava angustiada, desesperadamente à espera de um salvador da Pátria, como se as vidas de todos os Portugueses dependessem incontornavelmente de Sócrates, Vitorino ou Soares filho.
Não há paciência!

Não que esteja a ser optimista, mas…

o governo de Santana parece-me uma animada mescla de amigalhaços, profundos incompetentes e colunáveis decrépitos.
Convém não esquecer que o futuro do País está nas mãos desta gente.
E o futuro, na melhor das hipóteses, é negro.


Momento Zen

As caretas de Paulo Portas, na cerimónia de Sábado: “Ministro dos Assuntos do Mar? Eu?! Não!! Deve haver algum engano.
Certo, Morais?”

Tarde de Domingo

Leio crónicas avulsas de Raul Brandão, da belíssima colecção do Independente, no anfiteatro da Gulbenkian. Depois, vou para junto do lago e delicio-me com este livro. Terminada a leitura, executo meia dúzia de exercícios respiratórios e vou para casa lanchar.
Praia? Não me lixem!

terça-feira, julho 13, 2004

Droga de vida

A Vieira do Mar conta uma história própria de um país anómalo.
O único comentário que faço é este: peguem no menino e em espécimes similares e ponham-nos num campo de trabalhos forçados durante uns seis meses. É cura garantida.

Arrumações

Uma tia minha morreu há uns meses atrás e deixou umas boas centenas de revistas, jornais e livros antigos. Como fui o único preocupado em livrar o espólio de uma ida certa para o eco-ponto, decidi trazer tudo cá para casa.
Moral da história: irei passar os próximos dias em aturadas arrumações.

Sem comentários...

Prisoner of Conscience
A doctor famed for blowing the whistle on China's SARS cover-up learns the limits of Beijing's tolerance

When Dr. Jiang Yanyong blew the whistle, he was confident his country would welcome his candor. In April 2003, shortly after he sent an open letter to the media detailing how the Chinese government was covering up an outbreak of SARS in Beijing, the septuagenarian retired People's Liberation Army (P.L.A.) surgeon told TIME he had no reason to fear punishment for challenging China's official line. He was, after all, high-ranking in the military, a veteran member of the Communist Party and a doctor exercising what he called his "professional responsibility to protect the health of the people." His patriotism, he said, would protect him from harm.

It has not. By sounding the alarm on a lethal virus that ultimately killed nearly 800 people worldwide, Jiang's act of conscience helped prevent a global epidemic from spiraling out of control. But in a country where patriotism is often defined as loyalty to one's superiors, his good deed has not gone unpunished. Exacerbating Beijing's irritation, Jiang penned another letter—this one to about 20 senior Chinese leaders—earlier this year denouncing the 1989 Tiananmen Square massacre. On June 1, while on their way to apply for visas for their annual visit to their daughter in the U.S., Jiang and his wife, Hua Zhongwei, disappeared. Initially, their children were told by officials that the couple had been taken to a secret location "for their protection." But it soon emerged that they had been forcibly detained. Hua was later released, but sources say Jiang has since been subjected to daily indoctrination sessions to persuade him to recant. "What the authorities really want," says one source familiar with the situation, "is for him to express regret for writing or sending his letters, which would be a great tool with which to undermine the effect of his criticism."

Jiang has been under constant military surveillance since the publication of his SARS revelations, but his Tiananmen letter, leaked to Chinese and international media in March, appears to be the more immediate cause for his detention. In it, he not only described his memories of the gruesome scene at his hospital on the night the P.L.A. opened fire on peaceful crowds of pro-democracy demonstrators, but he also revealed that China's late President Yang Shangkun and Party elder Chen Yun privately expressed regret over the carnage. For the past 15 years, Beijing has insisted the demonstration was a "counterrevolutionary rebellion" engineered by a small number of "black hands," and denied reports of the mass killing of innocent civilians. Jiang argued in his letter that if the leaders responsible for ordering the troops to open fire had admitted they made a mistake, then it was time the current leadership did the same.

Mainland media did not report Jiang's letter, but in a country that doesn't allow public debate, a single dissenting voice can be enormously threatening. In their efforts to silence him, Jiang's captors have not mistreated him physically, but it has been a harrowing experience psychologically. Initially, Jiang and his wife were taken to an unknown location in an armored truck and made to walk through what one source describes as "a human corridor" of a hundred guards before being confined to separate rooms. Hua was given copies of China's constitution and the regulations of the P.L.A. and was supervised at all times by at least two people—even when she slept. Jiang was made to repeatedly watch a film explaining the Party's justification for the 1989 crackdown, and has been warned that these study sessions will continue until his thinking changes.

Given Jiang's international stature following SARS, Beijing risks drawing unwanted attention to its human-rights record at a time when the country is trying to present itself as a model global citizen and trade partner. During a visit to Beijing last week, U.S. National Security Adviser Condoleezza Rice complained to China's Foreign Minister Li Zhaoxing about Jiang's detention, according to the Wall Street Journal. The only public explanation the government has so far offered was a statement to the Washington Post that Jiang "recently violated the relevant discipline of the military" and that "the military has been helping and educating him."

One reason for Jiang's rough treatment may be that he has crossed Jiang Zemin, China's former President and current Chairman of the powerful Central Military Commission. The doctor's SARS disclosures prompted the ouster of two of Jiang Zemin's protégés—former Health Minister Zhang Wenkang and ex-Beijing Mayor Meng Xuenong. The Tiananmen letter might also be perceived as a personal affront, given that Jiang Zemin came to power in 1989 in part because of his support for the crackdown. A government admission of wrongdoing, as the doctor urges, would be a blow to the ex-President's campaign to secure his legacy as a great leader. Indeed, because of the doctor's high rank in the P.L.A., Jiang Zemin, in his capacity as military chief, is the only person empowered by the army's disciplinary code to authorize the detention.

Dr. Jiang has not been formally arrested, nor has he been charged with a crime, but that only makes his situation more tenuous. Beijing may choose to keep him locked up indefinitely—or until he is intimidated into an admission of incorrect thinking. So far, he is not backing down. "His position on the probity of his opinions hasn't changed," says one hospital colleague. But after this ordeal, Jiang may no longer feel safe making those opinions public.

In TIME Asia Magazine

sexta-feira, julho 09, 2004

Apocalypse Now

O País anda num caos. E não, não me refiro à contratação de Trapattoni – «Trampas», para os amigos – para treinador do Benfica. Falo sim da possibilidade de haver eleições antecipadas numa altura em que o País precisa de estabilidade.
Santana para Primeiro-Ministro? Seja. Antes um pândego no Governo do que o horizonte cataclísmico de mais uma administração irresponsável e criminosa do PS (com a sinistra agravante de poder haver coligação com essa tribo repelente que dá pelo nome de Bloco de Esquerda).

É verdade

Reconciliei-me (embora parcialmente) com a selecção nacional. Tudo porque deixámos de ter jogadores mimados, chorões e alarves para termos um grupo unido, modesto e apenas concentrado no futebol. Scolari, que foi duramente criticado (inclusive por mim) antes do Euro, está de parabéns.
Pena não se ter lembrado de substituir Deco por Postiga depois do golo dos gregos.
Mas também, ninguém é perfeito.

A Grécia de Otto

Lembro-me de três equipas de futebol que realmente me impressionaram nos últimos dez anos: Ajax, em 95, Croácia, em 96 e Coreia do Sul, em 2002. A elas juntarei, inevitavelmente, a selecção grega deste Europeu. E isto porque, embora custe bastante a engolir, os gregos mereceram ganhar a final. Tiveram o controlo absoluto do jogo durante os 90 minutos, manifestando um grau de concentração raramente visto no futebol.
Quanto à estética do jogo, ah, isso já é outra história.

quinta-feira, julho 01, 2004

Casa de sopas

Um amigo anuncia-me que hoje, às 19:00, vão exibir na Cinemateca o lendário “Duck Soup”, dos Irmãos Marx.
Lá se vai a primeira parte do Grécia-República Checa.

Axioma

Possível coligação entre PS e Bloco de Esquerda? Como diria Millôr, é juntar o inútil ao desagradável.

Sumo de laranja

Ricardo Carvalho é um fora-de-série, mas ontem, o melhor em campo foi Miguel. Simplesmente espantoso!

Duras realidades

Durão Barroso é o novo Presidente da Comissão Europeia? A avaliar pela caterva de lunáticos que invadiu ontem à noite o Marquês de Pombal para festejar a ida à final do Euro, eu arriscaria que a Nação pouco se importa.
A não ser, talvez, os pavões ofendidos do PSD ou, pior ainda, uma oposição putrefacta que anseia regressar urgentemente ao poder para desferir o golpe de misericórdia neste país condenado.