Sem Emenda

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domingo, outubro 31, 2004

Força, António!

Enquanto aqui no blog andamos entretidos com brincadeiras, a bater em hackers e escritoras light, na blogosfera profunda passam-se coisas gravíssimas. O António foi visitado pela Polícia Judiciária e o seu computador confiscado. Entretanto já foi ouvido em Tribunal. Tudo por causa de documentação sobre os escândalos da pedofilia que o António tem andado a publicar no blog.
Crime do António? Não. Ali não há crime nenhum. Crime, é saber-se que há pedófilos, saber-se quem são, saber-se onde andam, saber-se do que são capazes e no fim permanecer de bico calado.

O Sem Emenda coloca-se incondicionalmente ao lado do António e contra este sistema pavoroso, que, por um lado, persegue infamemente quem busca a verdade, e, por outro, protege os criminosos.
Um sistema que nos diz que neste país só há um pedófilo; os restantes que andem em liberdade e, de preferência, que sejam nomeados para ministros.

Falta de profissionalismo

Ontem calhou a Pedro Mourinho, uma espécie de pré-adolescente armado em homem, apresentar o jornal da noite na SIC Notícias.
O menino Mourinho, com expressão alarmada e tom pesado, recomendou, então, atento visionamento na íntegra do novo vídeo de Eminem, onde o rapper põe de rastos Bush.
Não foi tanto a recomendação do vídeo que me impressionou. Desde há muito que me apercebi que a linha editorial da SIC Notícias é franca e descaradamente anti-Bush. O que me impressionou realmente foi a parcialidade imberbe que o pivot manifestou quando devia permanecer neutro e conter as suas tendenciosidades.
Lamentavelmente, Manuela Moura Guedes fez escola. E a escola já é global.

Os perigos do politicamente correcto

O extremista católico Buttiglione afirmou em Bruxelas que considerava a homossexualidade um pecado. A Europa tremeu e tratou de enxotar o beato para fora da Comissão. Isto explica-se? Infelizmente, sim.
Vivemos tempos perigosos, dominados pelo politicamente correcto, em que as opiniões que não se regem pelo consenso geral, são vistas como atentados ao humanismo vigente.
Num estado normal e tolerante, as afirmações de Buttiglione, depois de devidamente meditadas, teriam sido alvo de chacota e a história ficaria por aí. Por outras palavras, a relevância das convicções pessoais de Buttiglione, como católico, é tão grande como a de um turco defender o apedrejamento a esposas adúlteras. Ou seja, zero.
Mas nesta Europa, as coisas não funcionam assim. Os assuntos são levados aos extremos, e as convicções pessoais de um comissário europeu são verberadas mal pisem o risco.
Felizmente os destinos da Europa não dependem de Buttiglione; e, infelizmente dependem de um Parlamento neurótico, obcecado pela linha mais tenebrosa e fundamentalista do politicamente correcto.

Mais chocolate

Chocolate Em Pó

Capítulo VII

Lá fora chovia, mas fazia chuva. Dentro de casa, Marisa soluçava convulsivamente. Tozé fazia uma sanduíche com queijo e fiambre, assobiando o último êxito de Zé Cabra.

Tozé: O que tens, pá?

Marisa: Sei lá…

Tozé: Diz lá, pá.

Marisa: Sei lá…

Tozé: Dói-te alguma coisa?

Marisa: Sei lá…

Tozé: Foi a unha que partiste?

Marisa: Sei lá…

Tozé: Foi o pé que torceste?

Marisa: Sei lá…

Tozé: Foi alguma coisa que eu disse?

Marisa: Sei lá…

Tozé (arremessando violentamente a sanduíche contra a parece): Foda-se, pá! Estou farto disto! Estou farto de ti! Já viste o que me fizeste?

Marisa: Sei lá…

“Sei lá…” Não, decididamente esta história não tem ponta por onde se pegue…

Fim do 7º capítulo

Procuro hacker para compromisso sério

Há dias assim... hoje aquilo que mais desejava era ter um desses vermes informáticos à minha frente para servir de saco de pancada.
Nada muito complicado: combinar hora, local, devidas apresentações e iniciar a sessão. Apenas isso...
Alguém sabe onde se podem encontrar estupores destes?

País estranho

Cavaco e Guterres arruinaram o País e fugiram dos respectivos governos.
Parecendo brincadeira, são exactamente estes os candidatos que o País escolhe para concorrerem nas próximas presidenciais.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Incongruência

Andam por aí uns iluministas altamente preocupados com os possíveis maus-tratos pelas autoridades venezuelanas aos traficantes de droga portugueses.
Coisa tão curiosa, pretender que criaturas que se ocupam de práticas desumanas possam apelar a tratamentos humanos...

Resolução urgente

Passar menos tempo no computador.

Vale e Azevedo

Corre um funesto rumor que Vale e Azevedo poderá ser expulso do Benfica. Eu já há muito que temia isto. Não basta terem-no encarcerado, humilhado em praça pública e privado do seu estimado iate, como agora ainda o excomungam do clube que ele ama. Não está certo. E isto porque Vale e Azevedo foi o último grande presidente do SLB.
O homem foi um canalha? Sim. Um escroque de elevado calibre? Sem dúvida. Um biltre sem princípios? Parece claro. Um pasmoso sevandija? Mais que óbvio.
Mas Vale e Azevedo foi um benfiquista como poucos. Construiu uma equipa de luxo, contratou o saudoso Souness, um treinador de sonho e fez frente a Pinto da Costa. Com ele, apesar de nada termos ganho, vivemos grandes momentos de futebol.
Expulso ou não, eu estou com o pulha.

Words, words…

Adenda: O meu amigo Bruno, obviamente empolgado com o desenrolar do enredo, expeliu o primeiro palavrão do romance: «merda». Ao contrário do que os leitores mais impressionáveis possam pensar, não farei censura a este tipo de linguagem.
Não esquecer que estamos num romance de literatura light, onde os palavrões se transformam em palavrinhas.

Arafat

Retiro o que disse sobre Israel. O governo israelita fez bem ao autorizar Arafat a ir ao médico. Assim, o mundo pôde ver exactamente o estado em que o engenheiro se encontra: uma múmia sebosa, trémula e babenta, clara e inequivocamente em final de carreira. Arafat foi um dos principais responsáveis (senão mesmo o principal) pela perpetuação do conflito israelo-árabe.
A decrepitude avançada de Arafat é sinal de vitória, nesta longa e dolorosa luta.

Chocolate em Pó - Capítulo VI

Chocolote em Pó

Capítulo VI

Lá fora, suspirava-se por um milagre. O mofo e a humidade tornaram a casa num local de sonho para germes e afins. Marisa gritava elegias a Frota, o rei dos Broncos, enquanto Tozé fazia a barba com um pincel.

Marisa: Ai Conde! Ai Conde!

Tozé: Já não posso contigo!

Marisa: Com quem?!

Tozé: Contigo.

Marisa: Porquê?

Tozé: Porque és insuportável.

Marisa: Ai Frota! Ai Frota!

Tozé: Mas afinal de contas, quem vem a ser esse gajo?

Marisa: Não sei. Uma alarvidade qualquer. Assim como nós.

Tozé: Como nós?!

Marisa: Sim, mesmo como nós.

Tozé: Está bem.

Marisa: O que será de nós amanhã?

Tozé: Merda.

Marisa: Vai tu!!!

Fim de capítulo

E Tozé foi mandado à merda. Depois de todas os suplícios da privação, teve de enfrentar uma ida ao "Sítio". Que mais poderia acontecer a este pobre rapaz...

quinta-feira, outubro 28, 2004

Isto está a descambar

Aquilo que começou por ser uma simples e breve sátira ao estilo literário da cultura light, resvalou para um movimento inédito na blogosfera: a composição de um romance por parte de vários bloggers, de forma espontânea.
Desta vez, foi o amigo cá da casa, Mr. Vertigo, a aventurar-se no enredo:

Chocolate em Pó

Capítulo V

Lá fora ainda não se passava nada. A casa cheirava a mofo. Deitado no sofá, Tozé ressonava sem parar e, consequentemente, o cheiro aumentava a sua intensidade putrefacta.
Marisa masturbava-se enquanto absorvia as últimas novidades da “Quinta”.

Marisa: Frota!!! Siimmm... Frooota...

(Tozé acorda devido ao cheiro. Já nem ele o suportava)

Tozé: Hã?! O que se passa?

Marisa (encolhendo-se para não ser vista naqueles propósitos): Nada, nada. Dorme e deixa-me em paz.

Tozé: Que cheiro é este? E porque tens as calças em baixo?

Marisa: O cheiro é teu. Não lavas os dentes e depois ressonas...

Tozé: Estás a insinuar o quê?

Marisa: Nada, nada. Dorme.

Tozé: Nem pensar! Isto tem de ser esclarecido. Se me acusas de algo eu tenho o direito a responder. É a Lei.

Marisa: Sendo assim, não te acuso de nada. Ok? Dorme.

Tozé retoma o sono e Marisa esforça-se por recuperar a excitação perdida enquanto amaldiçoa a obrigatoriedade de contraditório imposta pelo Ministro dos Assuntos Conjugais.


Mr. Vertigo

Agora, venha daí o sexto capítulo.

O óbvio

Um idiota lembrou-se de se submeter a um regime alimentar exclusivamente à base de fast food durante um mês para mostrar ao mundo os perigos que uma dieta deste género pode representar para o organismo humano. Daí, concluiu que esta magnífica experiência daria um belíssimo documentário. Ou filme, como quiserem.
A crítica, em geral, não poupa elogios e recomenda peremptoriamente a obra aos tolos que desconhecem os sinistros malefícios do fast food. Bonito.
Comentários? Dois. Primeiro: experiências como esta não são inéditas nem inovadoras. Balzac, no século XIX, escreveu um livrinho chamado “Tratado dos Excitantes Modernos”, onde são relatadas experiências sobre indivíduos que foram submetidos a quantidades excessivas de álcool, açúcar, chá, café e tabaco, esclarecendo e alertando os leitores para os danos fatais que estas substâncias podem causar.
Segundo: as pessoas não precisam de uma aberração como Super Size Me para saberem que uma alimentação em excesso é prejudicial à saúde. A questão é óbvia.
Mas mais óbvia se torna, quando esse regime alimentar é sempre o mesmo, não havendo quaisquer compensações.
Dito de outra forma, duvido que a saúde de alguém fique incólume com um regime exclusivamente à base de ervilhas. Ou de feijões. Ou de soja. Não fica, pois não? Por falta de variedade alimentar, ficará doente e acabará por morrer ao fim de algum tempo, com mais ou menos danos que os devoradores de fast food.
Agora, desculpem-me enquanto vou ali comer um hambúrguer.

Capítulo IV de Chocolate em Pó

Chocolate em Pó

Capítulo IV

Lá fora, não se passava nada. Marisa fazia o pino, enquanto coçava o nariz. Tozé acabava de ler A Odisseia, num só tomo, após abotoar a camisa.

Tozé: Então?

Marisa: Sim?

Tozé: Então!

Marisa: Sim!

Tozé: Já tiraste a tala?

Marisa: Não sei.

Tozé: Não sabes?

Marisa: Não me apetece dizer.

Tozé: Não te apetece?!

Marisa: Sim.

Tozé: E o que é o jantar?

Marisa: Sei lá.

Tozé: Vai fazer o jantar, já!

Marisa: Não me apetece, já o disse.

E Tozé ficou a pensar naquele intenso " não me apetece". Preso ao dilema existencial de uma vida: " o que é o jantar". Depois de recusar o coito com Tozé, Marisa recusava-se agora a fazer o jantar. Tozé não aguentará por muito mais...

Fim de capítulo

quarta-feira, outubro 27, 2004

Chocolate em frente

É oficial: temos romance. Sim. Roam-se de inveja, projectos falhados de escritores de pacotilha. Aqui no blog, há escrita promissora. Escrita light, entenda-se. Eu e o Bruno, quais Eça e Ramalho, que dividíamos a meias a forja do romance, estávamos indecisos em continuar a história do Chocolate em Pó. E, enquanto esperávamos para entrar em consenso, BOS, do Nova Frente, decidiu dar sequência ao romance.

Chocolate em Pó

Capítulo III

Lá fora, agora, trovejava. Tozé, mal entrou em casa, encontrou Marisa no sofá, muito encolhida, com medo dos relâmpagos. Aproximou-se da mulher.

Tozé: Então?

Marisa: Torci um pé.

Tozé: Onde?

Marisa: A sair do carro.

Tozé: Como?

Marisa: O chão estava alagado.

Tozé: Tens dores?

Marisa: Tenho.

Tozé: Consegues caminhar?

Marisa: A custo.

"A custo", respondeu ela. Não, decididamente a Marisa não andava bem. Coxeava.

Fim do 3º. capítulo


BOS

Aceitam-se propostas para o 4º capítulo.

Vírus

Não sei o que me fez rir mais, se foi o segundo capítulo do mui promissor romance, escrito aí em baixo pelo meu amigo Bruno, ou o vírus que recentemente destruiu o meu e-mail. O texto do Bruno está bem escrito e diverte mas, que diabo, não há nada que me faça rir mais do que um vírus informático.
Imagino a criatura que terá enviado o vírus: uma lombriga corcunda, escondida atrás de teclado, disquetes, cd’s, e acne avulsa; pálido como cal, unhas disformes, genitália fossilizada – suponho que nunca terá sido posta em prática.
A mãezinha, de vez em quando, lá chama pelo verme; ouve-se um remoto: “Vá, amor. Já estás no computador há três semanas. Ao menos toma banho, que o cheiro já chega à sala.” O verme não ouve. O verme não quer ouvir. No fundo, o verme tem uma missão. Uma missão que nem a mãezinha, nem os vizinhos, nem mesmo a Humanidade conseguem compreender. A missão urge e consiste em rebentar com e-mails alheios. É uma nobre causa, convenhamos.
Desta vez, calhou-me a mim esse feliz destino. Tão feliz, que ainda não parei de rir. É que a bicha-solitária desconhece que o e-mail que rebentou com o vírus foi apenas um de muitos que possuo.
Mesmo assim, foi um gesto bonito, este de me fazer rir às gargalhadas.
Entretanto, já tentei descobrir a origem de tão caridosa acção, mas sem sucesso. Só pelas pessoas e instituições que foram insultadas aqui no blog, temos uma centena e tal de suspeitos.

Aqui vai a lista, por ordem cronológica:

José Saramago;
Entrevistadora de José Saramago;
Zapatero;
Luisão;
FCP;
Jorge Costa;
Nuno Valente;
Costinha;
Deco;
Derlei;
Árbitro da final da Taça de Portugal, cujo nome, felizmente, me escapa;
José Mourinho;
José Magalhães;
Quadratura do Círculo;
Orlando Bloom;
Brad Pitt;
Maria José Ritta;
Santana Lopes;
Manu Chao (nome que o corrector ortográfico insiste em converter em “Manu Chão”);
Cuba;
Coreia do Norte;
Feira do Livro;
Amílcar Theias;
John Kerry;
PREC;
Salazar;
PCP;
Carlos Carvalhas;
José Luís Arnaut;
Odete Santos;
Sousa Franco;
Bloco de Esquerda;
Selecção Portuguesa de futebol;
Adeptos ingleses;
Selecção Inglesa de futebol;
Narciso Miranda;
Os dois comentadores do Letónia-Alemanha;
José Pacheco Pereira;
Selecção Espanhola de futebol;
Selecção Alemã de futebol;
Selecção Italiana de futebol;
Giovanni Trapattoni;
Iñaki;
Eriksson;
PS;
Drogados (perdão, toxicodependentes);
Paulo Portas;
José Sócrates;
António Vitorino;
João Soares;
Bonnie Tyler;
Imprensa desportiva;
Michael Moore;
Saddam Hussein;
Povo francês;
ONU;
Patriotas súbitos;
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras;
Figueiredo Lopes;
Toureiros;
Manuel Alegre;
Dois brasileiros que me acordaram às três da manhã;
Operador do 112;
Governo português;
Utentes pouco civilizados das praias da Caparica;
Karaoke da SIC Radical;
Madonna;
Gato Fedorento;
SIC;
Zézé Camarinha;
José Castelo Branco;
Lisboa;
Udai Hussein;
Revolução Francesa;
Fundamentalistas contra a clonagem;
Jornalismo da SIC;
Terroristas, perdão, «activistas» palestinianos;
José Romão;
Selecção Portuguesa de futebol Sub-21;
Zé Maria;
Comité Olímpico;
Atletas olímpicos;
Grécia;
Benfica;
Terroristas Chechenos;
Fundamentalistas pró-aborto;
Fundamentalistas contra o aborto;
João Lopes;
Professores do ensino público;
Radicais de Direita;
Radicais de Esquerda;
Defensores da caça à raposa;
Sporting;
Ministério da Educação;
Celeste Cardona;
Coligação PSD/CDS-PP
Quinta das Celebridades;
Francisco Louçã;
Luís Nobre Guedes;
Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa;
Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa;
Governador Civil de Lisboa;
Câmara Municipal de Lisboa;
O-Zone;
Jorge Sampaio;
M. Night Shyamalan;
Luís Delgado;
Dias da Cunha;
O Dia Seguinte;
Funcionários Públicos;
Olegário Benquerença;
Canal Parlamento;
TV Cabo;
Gomes da Silva;
Governo Chinês;
Estudantes de Coimbra;
Fidel Castro;
Margarida Rebelo Pinto;
Rita Ferro.

Vendo bem, se calhar até mereci o raio do vírus…

terça-feira, outubro 26, 2004

O esperado segundo tomo

O meu caro amigo João, através da sua hábil clarividência, levou-me a admitir que estava errado. De facto, sou eu que não percebo nada de literatura. A margarida rebelo pinto e a rita ferro é que dominam a escrita. Aqui fica expresso o "mea culpa".
Para me iniciar, também, nas estruturas da literatura light, vou dar seguimento ao romance engendrado pelo João.
Aqui fica:

Chocolate em Pó

Capítulo II

Lá fora, agora nevava, enquanto estava nevoeiro. Marisa fumava avidamente um cigarro. Já o seu companheiro Tozé lia os Lusíadas numa rápida ida à sanita.
Uma vez mais... num trejeito lânguido, lá se levantam os dois, em simultâneo, e prosseguem o diálogo.

Marisa: Olha...

Tozé: O quê?

Marisa: Já foste?

Tozé: Já fui onde?!

Marisa: À casa de banho.

Tozé: Sim.

Marisa: Pois o meu período ainda não me passou.

Tozé: Ai sim?!

Marisa: Já estou há dois meses assim.

Tozé: Pois eu estou com gases.

Marisa: Olha...

Tozé: Sim?

Marisa: Parti uma unha.

Tozé: Vai fazer a comida.

Marisa: O que será de nós amanhã?

Tozé: Sexo.

Marisa, ao pé-coxinho, ficou a matutar nas palavras sábias de Tozé. Decidamente, o Tozé não andava bem. Só queria sexo...

Fim do 2º capítulo

Literatura Light

O meu amigo Bruno, numa assustadora demonstração de fundamentalismo literário, quis colocar a Sr.ª Rebelo Pinto e respectiva prosa light nas ruas da amargura. Coisa feia, a inveja…
O meu amigo Bruno, ao contrário das pessoas que primam pelo civismo e pela tolerância artística, não sabe reconhecer o lugar ocupado pela literatura light na cultura contemporânea.
Eu próprio, inspirado nas obras de Margarida Rebelo Pinto e Rita Ferro, decidi escrever um romance, dentro da corrente light. A história envolve duas personagens e o enredo mete um pouco de tudo: romance, fantasia, intriga, erotismo e até um pouco de filosofia Zen.
Fica aqui o primeiro capítulo:

Chocolate em pó

Capítulo I

Lá fora chovia, mas fazia sol. Marisa espraiava-se no sofá, dividida entre as dores menstruais e a pulsão habitual do zapping. Tozé escrevinhava no atelier.
Marisa, levanta-se languidamente e dirige-se para lá.

Marisa: Então?

Tozé: O quê?

Marisa: Olha…

Tozé: Diz.

Marisa: O que queres para o jantar?

Tozé: Não sei.

Marisa: Vá lá.

Tozé: É, pá, não sei.

Marisa: Rissóis?

Tozé: De quê?

Marisa: Camarão.

Tozé: Pode ser.

“Pode ser”, pensou Marisa. Não, decididamente as coisas não andavam bem com Tozé…

Fim do 1º capítulo

mrp

Ainda levado pelo vento, sem saber bem o que escrever para este espaço, resolvi endereçar uma crítica pública à escabrosa margarida rebelo pinto.
Uma vez, tive a infelicidade de dar com um programa em que participava a tão pouco estimada senhora. Fiquei a perceber que granjeava um grande culto. Em Portugal e além-fronteiras. Que no nosso país já se sabia que a cultura escasseava... era um facto, agora a surpresa foi enorme ao saber que a mrp corrompeu alguns editores no estrangeiro, não se sabendo a natureza da "troca de favores" utilizada pela estrepitosa senhora. Uma vez que, para se publicar defecações daquelas, enfim...
Chego a uma conclusão: já na minha infância, conseguia produzir textos de jaez construtivo. Coisa que a dita senhora jamais fará.

segunda-feira, outubro 25, 2004

Assim não dá

O maior acto terrorista de Israel até à data...

domingo, outubro 24, 2004

F***!!!

Na semana transacta, fiquei realmente confuso ao entrar na torre da faculdade. Dei por mim e.... estava preso num labirinto "pseudo-poético". Quando procuro tirar algum substracto das "palavras" derramadas num esquisito papel(ou cartão), fico totalmente aturdido pela ausência de qualidade e por um enigma: todos os "escritos" vêm assinados por "F.". Eu, que sou um apreciador de poesia , transito para o estado de irado, facilmente, ao constatar que uma arte tão nobre, como é a de criar um poema, seja enxovalhada por gente que não possui a mínima centelha de criatividade e, ainda por cima, assume a frustração, deixando no ar uma vaga ideia de arrependimento, ao escusar-se a assinar a autoria do mesmo, seja através do nome real ou de um pseudónimo. Eu também chego a uma certeza: não teria igualmente coragem para utilizar aqueles míseros retalhos de papel numa casa de banho, pois tenho a suficiente auto-estima para não querer esfoliar o meu traseiro. Aquele "f" deve ser de "foda-se".


sábado, outubro 23, 2004

Como hoje é Sábado…

…convém ler a coluna de Constança Cunha e Sá, contratação de peso da revista Sábado, sobre Santana Lopes. No artigo desta semana, a santanal figura é colocada de rastos. Tudo por causa de uma suposta sesta, maquiavelicamente forjada pelo Expresso, que afinal não foi consumada pelo nosso Santana. É ler, reler e tentar acreditar no anedótico destino em que este País caiu, ao ter como Primeiro-ministro um projecto larvar de Rufus T. Firefly.

P.S. Desde o caso Marcelo, os opinativos deste País parecem não querer poupar o Dr. Lopes ao deboche geral. Eis uma lição que não foi aprendida pelo Dr. Lopes e respectiva canalha: quanto mais um circo se quer levar a sério, mais gozado é. Pobres imbecis…

sexta-feira, outubro 22, 2004

Dúvida desfeita

As pessoas questionam-se muitas vezes sobre a verdadeira sexualidade de José Castelo Branco. A resposta está na adaptação de uma música da Britney Spears:

“I’m not a man; not yet a woman.”

O governo

Tudo o que eu queria escrever sobre este governo, mas, por falta de arte e engenho – e, acima de tudo, paciência – está aqui escrito. Concordo com a ideia geral, menos, em particular, com as críticas ao grupo de paranóicos apologistas da tese da censura e dos tiques ditatoriais deste governo (no qual eu me incluo). Gomes da Silva, com todos os defeitos que possa ter, não age por conta própria, mas sim a mando dos seus superiores.
Quanto ao resto, porém, concordo plenamente. E digo mais: não entendo como a imprensa indígena ainda não recrutou o Sr. MacGuffin para escrever opinião num jornal. Enfim…
No final, fica a questão: alternativa à comédia santanista (alternativa, no sentido de uma opção melhor)? Resposta: não há alternativa.
Dramático. Muito dramático.

quinta-feira, outubro 21, 2004

As Farpas de Marcelo

Não há melhor experiência que o riso. E, se for possível rir com classe, não conheço nada melhor do que rir com a leitura das obras de Eça, tão bem escritas, tão certeiras e tão actuais. As Farpas são um belo exemplo disso mesmo. E Marcelo, que desde há duas semanas ri debochadamente, sabe-o bem.
Pelo menos até alguém o proibir de lê-las em público.

No place like home

Tenho vivido problemas domésticos relativamente graves. Dadas as circunstâncias, até já pensei em sair abruptamente de casa. Isto, até ontem.
Porque ontem, depois de ter dado uma vista de olhos pela Quinta das Celebridades, pensei na dádiva que representa não ter de viver naquele mundo inominável.
Por breves segundos, os meus dramas familiares pareceram meras insignificâncias.

A coragem de Sampaio

Muito se tem discorrido sobre a falta de coragem política de Jorge Sampaio durante todo o processo do caso “Marcelo”. Alguns defendem, porém, que o Presidente da República não pode interferir devido ao cargo que ocupa. É, de resto, a desculpa da praxe: o homem não pode interferir porque não pode comprometer a sua posição.
Desculpa interessante do ponto de vista político, mas completamente falaciosa do ponto de vista pessoal. A verdade é que Sampaio é um ser humano intrinsecamente cobarde. A prová-lo, existe uma pequena história, já há muito esquecida, que explica a essência dessa cobardia. Remonta ao pós-25 de Abril e vem relatada num livro muito interessante de Artur Agostinho.
Aqui vai a transcrição do capítulo que relata essa história:
“Uma carta e uma atitude

Naquela trágica «era gonçalvista» – uma das maiores catástrofes que desabou sobre Portugal e o seu Povo – as Leis eram «letra-morta». Cidadão que se visse envolvido em qualquer problema, na generalidade criado pela fúria desenfreada de oportunistas sem escrúpulos, não tinha outro remédio que não fosse o de ficar à mercê da sua própria sorte.
Recorrer aos tribunais era rematada loucura porque, na verdade, eles não funcionavam. Havia, sim, aquilo a que chamavam as… «leis revolucionárias» e que não eram mais do que decisões arbitrárias de quem detinha o Poder e, até, de quem o não detinha mas gravitava na órbita dos que se haviam apoderado do País, a todos os níveis.
Recorrer a um advogado tornou-se quase impraticável, pois, salvo honrosíssimas excepções, a maioria deles só se ocupavam de assuntos em que as tais «leis revolucionárias» pudessem adaptar-se aos interesses dos seus clientes e aos deles próprios.
Lembro-me que, em tempos não muito distantes, era relativamente fácil encontrar advogados dispostos a defenderem os homens acusados de serem adversários do regime salazarista. E, embora com todas as dificuldades que se conhecem, não creio que tenham sido impedidos de o fazerem. Mesmo alguns advogados, não vinculados politicamente àquilo que se designava na generalidade por «oposição», não hesitaram em defender alguns réus de marcada e reconhecida linha política contrária à que então vigorava.
Do mesmo modo, alguns advogados conhecido como adversários do antigo regime, não se escusaram a tomar a seu cargo causas de pessoas que se situavam em campos ideológicos bem diferentes.
Poderia citar numerosos exemplos do que afirmo, mas creio não valer a pena por ser sobejamente conhecido esse «fenómeno».
Por mim, acho – sempre achei – isso naturalíssimo, do ponto de vista profissional. Porque o facto de um advogado aceitar defender um assassino não significa que ele seja defensor do crime. É, afinal, o caso do médico que, pelo facto de ser social-democrata, não se recusa a salvar a vida de um doente que é comunista.
São coisas que não podem – que não devem – ser confundidas mas, infelizmente, o são, ou, pelo menos, o foram naquela lamentável fase da vida portuguesa.
Posso referir um caso, passado comigo, que serve para ilustrar o que afirmo. E vale a pena contá-lo desde o princípio para que o leitor, em consciência, tire as conclusões mais apropriadas e mais correctas.
Um dia, na minha Empresa, tive um problema com um cliente que tinha uma dívida avultada por trabalhos realizados para uma campanha publicitária. Um dos meus colaboradores mais próximos, sabendo que eu tinha intenção de recorrer aos serviços de um advogado, sugeriu-me um que ele conhecia bem e cuja competência era garantia de que o caso seria tratado da melhor maneira.
Aceitei a sugestão e, depois de lhe apresentar o problema, confiei-lhe a causa. A sua aceitação foi satisfatória. Paguei-lhe os honorários pedidos e disse-lhe que o procuraria sempre que necessário. Agradeceu e concordou.
Dois ou três anos depois, tive um problema de outra ordem. Um caso desagradável ocorrido em Setúbal, numa Pousada dirigida por uma senhora de feitio pouco sociável, que degenerou num processo em que fui réu. Devo esclarecer que se tratava de um problema de «lana caprina», de um lamentável mal-entendido que a tal senhora considerou (ou quis considerar) injurioso para ela. Mas adiante…
Procurei o mesmo advogado, contei-lhe o caso e ele aceitou defender-me em tribunal. A sua actuação voltou a ser satisfatória e, antes mesmo da decisão do juiz, chegou-se a um entendimento entre as duas partes.
Voltei a pagar os honorários pedidos, como fizera da primeira vez e renovei a minha intenção de continuar a confiar-lhe os serviços de que tivesses necessidade, tanto na Empresa como pessoalmente.
Aconteceu, até, que o advogado em questão, me escreveu uma carta muito amável, que considerei altamente elogiosa para mim e que guardo no meu arquivo pessoal.
Quando, em 28 de Setembro de 1974, fui preso e «alojado» em Caxias, consegui – passado algum tempo – fazer chegar a minha mulher instruções no sentido de que ela procurasse o mesmo advogado, solicitando-lhe que se ocupasse do meu caso, até porque estava detido sem culpa formada.
Minha mulher assim fez mas, surpreendentemente, ele que tão satisfeito ficara com o seu cliente e tão amável fora na tal carta, recusou-se a fazê-lo. E mais surpreendente foi a argumentação de que se serviu para justificar a sua atitude. Declarou que «não poderia ocupar-se do meu caso por me conhecer apenas superficialmente; que falara comigo apenas uma ou duas vezes e, por isso, seria melhor recorrer aos serviços de qualquer outro advogado.»
Confesso que, ao ter conhecimento da sua atitude, fiquei surpreendido. Porque, na altura, ainda não me tinha apercebido de certas coisas que, mais tarde, comecei a entender perfeitamente.
Ainda que o caso não mereça quaisquer comentários especiais, não posso deixar de perguntar porque razão aquele advogado não se recusara anteriormente a defender-me em Setúbal. Ou será que, nessa altura, me conhecia melhor do que depois, quando fui preso, em Setembro de 1974?
É verdade. Falta dizer o nome desse paladino da justiça e da Verdade. Chama-se Jorge Sampaio e tinha (não sei se ainda tem) o seu escritório na rua Duque de Palmela, nº 27, 5.º-direito.”

Artur Agostinho, Português Sem Portugal, 1977, pp 243-246

Um bom presságio

Fidel Castro, após um daqueles discursos inenarravelmente longos, acabou por cair, estatelando-se no chão e, provavelmente terá partido um braço e um joelho.
Isto faz lembrar um feliz acontecimento sucedido em Portugal algures em 1968 e que teve o seu desfecho em 70.
Talvez em 2006, os cubanos possam ter paz finalmente.

Não pagamos, não estudamos, não estudamos, não pagamos!

Eu estou com os estudantes de Coimbra na luta contra o pagamento de propinas. Para quê pagar um serviço que eles pura e simplesmente não utilizam?

O tesão de Aquiles

É inevitável. Sempre que me disponibilizo a demolir o filme Tróia – uma das experiências mais traumatizantes que tive como espectador –, lá tenho de levar com reacções violentas de uma amiga qualquer, que me diz que o filme é óptimo, especialmente nas partes em que o Brad Pitt aparece.
Eu ainda penso em responder, mas lembro-me que o inverso também sucede connosco.
Alguém já ouviu, por exemplo, um macho criticar o filme Striptease?

Em Coruche

Soube hoje que em Coruche falam-se fluentemente diversos idiomas. Deixo aqui transcrita uma amostra:


PEQUENO CURSO INTENSIVO DE LÍNGUAS

RUSSO
Conjunto de árvores: Boshke.
Insecto: Moshka.
Político: Caganopovo.
Defunto: Sefoy Prakova.
Sogra: Storvo.

ALEMÃO
Abrir a porta: Destranken.
Não me interessa: Queselich.
Bombardeio: Bombascaen.
Chuva: Gotascaen.
Sogra: Ajjj.

ÁRABE
Metralhadora: Allavai Abalabalabalabalabala.
Elevador: Alicima Vai.
Necessito um banho: Molhamed.
Sogra: Alvíborah.

CHINÊS
Cabelo sujo: Chin-Champu.
Descalço: Chin Chinela.
Top-less: Chin-Chut-Yiã.
Náufrago: Chin-Chu-Lancha.
Nudista: Chin-Calcao.
Pobre: Chen Luz, Chen Agua e Chen Gaz.
Veneno: Bai Gon.
Estudante: Xu-Lo-Pai.
Ladrão: Fin-To-Xui.
Politico: Chin-Pan-Ze.
Sogra: Bru-Xa-Feia.
Hemorróide: Cu-Chai-Chang

INGLÊS
Banheira giratoria: Tina Turner.
Indíviduo de bom autocontrole: Auto Stop.
Copie bem: Copyright.
Talco para caminhar: Walkie Talkie.

JAPONÊS
Adivinhador: Komosabe.
Bêbado: Yochi Tomo Whiski
Café amargo: Takaro Azukar
Top Less: Sakare Ateta.
Diarreia: Kagasoagua.
Carro: Kenon Hémoto.
Compre: Adkira.
Terror: Aikimedu.
Fraco: Yono Komo.
Me roubaram a moto: Yononvejo M'yamaha.
Meia volta: Kasigiro.
Bilhar: Takada Nabola.
Bar: Boti Kin.
Político: Roba Kasitudo.
Se foi: Non-ta.
Acabou a gasolina: Yaminhamoto Nonanda
Vice-campeao: Kuasi-Ganho.
Ainda tenho sede: Kiro Maisagwa.
W.C.: Akisicaga.
Fim: Saka-bo.

Via Em Coruche

quarta-feira, outubro 20, 2004

À maioria das pessoas, a utilização do serviço de táxis é vantajosa, e eu, lá de quando em vez, também tenho de recorrer aos préstimos dos taxistas. Num outro dia, à saída do Bairro Alto, lá tomei o transporte. Fazendo uso dos tiques da cartola, o "condutor" começa a falar do tempo - que na altura, tendia a resvalar para a intempérie - , pequeno pretexto número um para iniciar a vociferação animalesca, regurgitando vitupérios sem direcção definida. Com o vernacular vocabulário a irromper de meio em meio minuto, eu contorcia-me de riso, contidamente, dentro do veículo. Também uso o vernáculo de vez em quando, mas fazer dele o único discurso do quotidiano... parece-me trágico em demasia.
E lá vou eu, percorrendo esta urbe sem sentido, enquanto a falta de cultura se agudiza em cada seu canto.

A grande canalha da China

A intelligentsia europeia parece fascinada com a putativa abertura da China ao Ocidente. Eu só entendo esse fascínio parcialmente. A verdade é que, excluindo a questão económica, a China permanece um estado fascista, ultra-repressivo e com crónicos tiques coloniais.
É só atendermos ao que se passa actualmente no Tibete, onde os indígenas que manifestem desagrado (pacificamente, como é óbvio) à ocupação da China, são convidados (violentamente, como é óbvio) pelos militares chineses a passar uma temporada numa confortável cela de prisão.
A partir daí, é um rol de mimos: espancamentos, torturas com choques eléctricos, execuções sumárias (os monges que eventualmente sobrevivem aos tiros, são enterrados vivos), fome, frio (como os presos são obrigados a ficar despidos, muitos deles acabam por morrer congelados durante o Inverno), e outras bestialidades inimagináveis. As mulheres tibetanas não têm destino melhor: muitas são violadas e, as que engravidam, são obrigadas a abortar a dois meses de dar à luz.
Sobre este pesadelo macabro, o mundo permanece convenientemente em silêncio. Os cifrões da abertura ao Ocidente valem tudo isso e muito mais.
Não conheço maior hipocrisia.

P.S. para ler depoimentos na primeira pessoa sobre esta matéria, visitar este site. Leiam tudo, por favor.

Conselho de amigo



Depois de fazer despoletar o famoso Marcelogate, depois do show-off miserável em frente às câmaras de televisão e da histeria correspondente, Gomes da Silva pretende ainda conceber uma «cabala» (palavrinha que já tinha passado de moda) montada contra o governo pelo maquiavélico Marcelo e pelos jornais Público e Expresso.
Dr. Santana, não sei o que espera para enviar esta criaturinha confusa (é só olharmos para a carinha dela) para longe da vida política. De preferência, para o circo mais próximo aí da zona.

Imoralidade

Que a TV Cabo tenha codificado o Canal 18, banido o Fashion TV e o seu grupinho de meninas de lingerie e feito desaparecer as saudosas sessões de strip do SMS TV não me mete muita impressão. Mas, que diabo, codificar o Canção Nova? Não, não se faz…

terça-feira, outubro 19, 2004

Arma perfeita nas mãos erradas

Venho, por este meio, iniciar-me no redigir de posts para o blog "sem-emenda", do meu caro amigo João, satisfazendo um velho desejo seu. E inicio esta nobre tarefa, referindo-me ao restolhar do Benfica-Porto. É que sem este jogo, o meu post perderia o sentido, portanto, há que contextualizar a situação. Após a realização da partida, surge a natural e implosiva proliferação dos habituais "bitaites" em canais ditos de televisão. Para além do habitual chorrilho de alarves catárticos em festejos, surge uma reportagem especial que dá conta de uma casa do fcp(não escrevo em maiúsculas, pois a instituição/dirigentes não o merece/m), em Paris. E qual não é o meu espanto, para além do mui vulgar desfilar de boçalidades à portuguesa, sou confrontado com o costumeiro instrumento de agitação das massas populares: o famigerado órgão. Este, é, no entender de profissionais do campo da música, um dos mais completos instrumentos: consegue construir melodias, reproduzir outros instrumentos, criar ambiências, et caetera, et caetera. Tudo isto é muito bonitinho, mas a verdade é que este belo instrumento nas mãos das pessoas erradas(bimbos e afins) consegue transformar-se na mais letal das armas. Ora nos invade o sistema auditivo com toques absurdos, provando que o "compositor", ou melhor, o "tocador", percebe menos de música que o decrépito josé cid(outro que não merece o meu mínimo respeito, por isso, a falta de maiúsculas). Dá que pensar... um instrumento tão belo, completo, agradável e poderoso e produzir algo tão mau. É mesmo um cenário dantesco!

Concorrência

A SIC Comédia estreou ontem. Concorrência forte ao Canal Parlamento…

Ole quê?

Consta que Olegário Benquerença roubou o Benfica. Eu não acredito. Não acredito que haja um árbitro que se chame Olegário Benquerença. Nem sequer concebo que exista alguém com o nome Olegário Benquerença.

Já agora

Assistir, de preferência várias vezes, ao Duck Soup, dos Irmãos Marx. Não só é um dos melhores filmes de todos os tempos como também explica a natureza do governo de Santana. Setenta anos depois, também lá está tudo bem explicadinho.

As declarações

“O poder político não pode, de maneira nenhuma, controlar ou influenciar a comunicação social, directa ou indirectamente. O que hoje se passa com a PT Multimédia não faz sentido nenhum. O Estado não pode condicionar o mercado com a sua presença. Pode, quando muito, ter um canal de televisão e outro de rádio, sem preocupações de audiência. Quanto ao resto, acho que o Estado não tem de meter o bedelho em nenhum jornal.”

“O problema do Dr. Marcelo para o Governo é um problema clássico de um regime repressivo. Começamos pelos maiores ou pelos mais pequeninos? Eles podiam ter começado pouco a pouco, pelas margens e quando o Marcelo desse por ele estava isolado. Resolveram começar pela cabeça.”

Vasco Pulido Valente, em entrevista à Sábado

Aconselho seriamente a leitura desta entrevista na íntegra. Está lá rigorosamente tudo explicado: os tiques ditatoriais deste governo, as figuras obscuras da política actual, os comportamentos indecorosos de Santana, a promiscuidade sinistra entre órgãos de comunicação e governo, e o rumo tenebroso que este País está a tomar.
E, se houver tempo, ler também o comentário de Pacheco Pereira sobre Luís Delgado. Como disse, está lá tudo bem explicadinho.

P.S. ler também as mensagens – que já cá faltavam –, espalhadas por aí, de percevejos moralistas que desejam trela curta à liberdade de expressão. Moralistas que estão entranhados no establishment, pactuam com ele e que defendem a liberdade para uns e o açaime para outros. Todos iguais, mas uns mais iguais que outros. Tal e qual como as previsões de Orwell. Bonito. É o princípio do pântano.

Novo camarada

A partir de hoje, até quando o biltre desejar, este blog passa a ter mais um alucinado a redigir posts. É o meu grande e velho amigo Bruno Costa.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Amigos da onça

Certa vez, o monge budista Bodhidharma passeava pela China quando foi chamado pelo imperador Wu Ti. O imperador desejava vê-lo para extrair dele conselhos sábios sobre administração política. Bodhidharma, que conhecia o carácter malfeitor de Wu Ti, aconselhou-o a dormir até ao meio-dia, todos os dias. Wu Ti acatou o conselho mas, quando teve uma oportunidade, pediu aos sábios da corte que lhe interpretassem a sugestão de Bodhidharma. Os sábios, a medo, explicaram que, se dormisse até ao meio-dia, o imperador teria apenas metade do dia para fazer mal ao povo chinês.
Agora percebem-se as verdadeiras intenções da Associação Portuguesa dos Amigos da Sesta quando propuseram a Santana Lopes que aderisse ao clube.

Os stôres

Nova concentração de professores à porta do Ministério da Educação (mais conhecido aqui na zona como Mistério da Educação). Eu já há muito que deixei de levar a sério estas peregrinações de docentes recém-formados ao satânico ministério. Tudo está explicado na seguinte história: no meu primeiro ano de universidade, perguntei a vários colegas sobre perspectivas profissionais depois de terminada a licenciatura. A resposta era quase unânime: o destino residia na docência. Razões: gosto pelo ensino? Prazer em preparar novas fornadas de alunos no universo do conhecimento? Não. O destino desta douta gente residia na docência porque "assim o ordenado era certinho. Já para não falar no subsídio de férias, no 13º mês e regalias nos serviços de Saúde."
Ter pena desta gente é ser-se, no mínimo, bem burrinho.

É o sistema, estúpido!

Regresso a casa segunda de manhã depois de um fim-de-semana privado de televisão, e o meu pai diz-me que o Benfica perdeu com o Porto por 1-0. O meu pai explica-me que o Porto devia ter tido vários expulsos e que o Benfica marcou um golo que acabou por ser injustamente anulado. Depois explicou que tudo isto se devia «ao sistema». O «sistema»... Eu já devia saber.
Acho que vou proibir o meu pai de ouvir as próximas declarações do Dias da Cunha ou de voltar a assistir ao Dia Seguinte.

Louça partida

Não sei o que se passa com o meu computador. Sempre que tento escrever "Louçã", o corrector automático apaga o til do nome. Será que é o computador a indicar-me que o Dr. Louçã não existe?

sexta-feira, outubro 15, 2004

Deus me acuda!

Ligo a televisão exactamente a tempo de ouvir Louçã insurgir-se contra o primeiro-ministro por causa do ordenado chorudo (3.500 contos mensais, Jesus Christ!) de uma funcionária da Caixa Geral de Depósitos. Para rematar, Louçã revolta-se com a média de boys que são contratados pelo governo (cerca de treze por dia!).
No fim do discurso, levanto-me e aplaudo entusiasticamente o inefável Louçã. Obrigado, senhor Santana. Muito obrigado.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Cadê a censura?

Já passa das dez da noite e está um grupinho de delinquentes, que se dizem «profissionais do ensino», à porta do Ministério da Educação a manifestarem-se. A manifestação consiste nos seguintes preparos: colunas gigantescas de som a difundir selvajaria sonora por toda a avenida, um Zeca Afonso de pacotilha a tocar guitarra, e um reduzido número de percevejos a aplaudir efusivamente a tragédia musical.
Não percebi ainda de que trata a manifestação, muito menos porque razão a polícia ainda não deteve a canalha.
Ah, onde é que está um Gomes da Silva quando precisamos dele?

terça-feira, outubro 12, 2004

A minha religião II

"Posso ser tudo na vida – como autor e como homem – mas não sou um amoral. E lamento a cegueira profunda e irreversível dos muitos que não conseguiram ver isso. Assim, como moralista, não interesso a regime nenhum. Reconheço que não consigo inspirar confiança em ninguém, pois sou um autor inconveniente. Por isso digo que sou um solitário absoluto, embora dê ao amigo uma importância decisiva. (…) Não faz mal se não sou aceito por todos. A unanimidade é burra; a maioria não sabe nada. Por isso, existe o líder. Ele é um dos poucos que vê a verdade."

Nélson Rodrigues in O Globo, 5 de Dezembro de 1974

O palhaço

Churchill era uma espécie de bandalho fumegante, provocador, sem papas na língua que troçava de tudo e que, claro, deixava-se troçar. Ria dos outros mas, acima de tudo, sabia rir dele próprio. Isso não o impediu de ser a personagem mais importante do século XX (se não quisermos cair na idiotia em que muitos caíram ao colocar a Princesa Diana no lugar cimeiro do pódio), um verdadeiro pilar que enfrentou o terror nazi, por um lado, e o avanço imperialista da Rússia estalinista, por outro.
E o que temos nós a mandar cá em casa? Um autista degenerado, autarca corrupto, patético dirigente desportivo, comentador de décima categoria, projecto larvar de aristocrata, que, cúmulo dos cúmulos, se leva tremendamente a sério, e não admite que haja uma crítica, uma caricatura, um riso, uma sátira à sua distinta pessoa e à instituição que representa.
Não saber digerir críticas ou rir de si mesmo é caminhar a passos largos para a comicidade total. Santana é o típico palhaço que leva o seu circo demasiado a sério.

Mania da perseguição

Utilizar termos como «censura» ou «ditadura» quando falamos do caso Marcelo, é, naturalmente exagerado. Não me parece que este governo de cretinos seja capaz de transformar esta genuína república das bananas num novo Estado Novo. Por muito mal que isto esteja, felizmente estamos longe de um cenário desses.
Agora, não entender, ou, pior, implicar com este comportamento é reacção própria de gente completamente tarada. Gente que não concebe que haja uma resposta imediata por parte das pessoas numa democracia quando há uma clara tentativa de censura por parte do Governo (já agora, refutar isto, é negar o show-off dessa verdadeira virgem histérica chamada Gomes da Silva) só pode ser gente com fraquíssima capacidade de raciocínio. As pessoas reagiram com veemência – e com consequente exagero – contra a posição do governo no caso Marcelo, porque a última coisa que as pessoas querem é voltar atrás no tempo, e cair num regime onde existe censura por parte da classe política. Mais: excluindo os lambe-botas dos militantes partidários, que terão toda a legitimidade de apoiar e defender incondicionalmente a honra da sua paróquia – mesmo sabendo a apocrisia que a paróquia realmente é – acho de uma indigência atroz pessoas que se dizem livres e independentes estarem tão preocupadas em defender o Governo numa matéria perfeitamente indefensável.
Chamar paranóicos àqueles que bramaram histericamente “censura” e “ditadura” no caso Marcelo mas depois não saber reconhecer a sua própria paranóia quando pensaram que o governo estava a ser injustamente perseguido é sinal claro e preocupante de senilidade avançada.

A coerência na incoerência

Parece-me de extremo mau tom a oposição (novamente com minúscula) querer exigir do governo coerência em tempos tão incoerentes. Santana contradiz rotundamente Bagão Félix nas perspectivas económicas para 2005? E então? Não foi Teresa Caeiro que ia para a Defesa e que, à última hora, foi para a pasta da Cultura? Não foi Portas, que era apenas Ministro da Defesa, que, também à última hora, ganhou mais um cargo – mesmo sem ele próprio o saber?
Deixemos este governo (crónica e inevitavelmente com minúscula) com as suas incoerências próprias de uma caterva de incompetentes que vai mandar o País definitivamente para o charco.

segunda-feira, outubro 11, 2004

A paranóia continua

Santana dirige-se à Nação daqui a poucos minutos numa mensagem gravada e transmitida em diferido na RTP e RDP.

A minha religião

Este blog é visitado, em estimativas por alto, por duas ou três pessoas. No máximo e na melhor das hipóteses. Ainda bem. Porque, como escreveu uma vez Vasco Pulido Valente, "a ideia do exercício, da «imbecilização», consiste naturalmente em conservar e atrair leitores. Partindo da premissa de que o leitor evoluiu para um estado crítico de irracionalidade e grosseria, a oferta trabalha para se fazer, pelo menos, tão irracional e grosseira como a procura."
Nem mais!

Ainda A Vila

Mr. Vertigo, há quanto tempo! Concordo rigorosamente com tudo o que escreveste, o que não me impede de manter rigorosamente tudo o que escrevi sobre o filme. É que, por vezes, apetece-me ir ao cinema apenas para ver aquilo que eu penso que o realizador me vai dar (neste caso, um filme de terror). Esta atitude identifica-se com o «espírito da pipoca»? Seja. Por vezes, gosto de abordar o cinema assim. E não, nada tenho contra o facto de Shyamalan andar a descontruir aquilo que é previamente estabelecido na disposição do enredo. Nem tampouco que vire radicalmente o motivo original do filme para outros elementos (o Amor, a esperança, a coragem, o ciúme, o Medo, ou os medos nas suas mais variadas formas e tudo aquilo que muito bem apontaste). Ou melhor ainda: que nos faça ver que o que importa no filme são exactamente esses mesmo elementos e não aqueles que previamente esperávamos. Aliás, um coup de théâtre em filmes da actualidade é fenómeno raro e, por isso mesmo, de saudar (lembremo-nos do desfecho surpreendente no Sexto Sentido). E nem ferramentas faltaram para que Shyamalan fosse bem sucedido – é termos em conta o nível superior dos actores, por exemplo. Mas este tipo de traquinice só funciona em determinadas situações. E, volto a sublinhar, falha completamente em A Vila. Simplesmente porque a ruptura é tão grande com aquilo que se esperava, que, em vez de causar espanto (como no Sexto Sentido ou mesmo em O Protegido, filmes que apreciei bastante), causa uma imensa decepção. Pelo menos foi o que eu senti. Não digo com isto que seja contra este tipo de abordagem, nem contra filmes que nos levam a descobertas novas à medida que o enredo vai avançando. Mas acho que no caso de A Vila, a(s) descoberta(s) que fazemos redunda(m) numa completa e rotunda desilusão.
P.S.: um abraço também para ti, e vê se escreves mais, pá. Ou queres ficar igual ao Marcelo?

domingo, outubro 10, 2004

Marcelo

Primeiro Domingo sem Marcelo em três anos e tal. Bonito. Para quem não percebeu, ou, pior ainda, não quis perceber, a saída de Marcelo da TVI e o consequente fim das suas eucaristias dominicais, simboliza inequivocamente uma gritante falta de cultura democrática no nosso país. Motivada por uma promiscuidade sórdida entre meios da comunicação e classe política (neste caso, o próprio governo), a saída de Marcelo é mais um sintoma lamentavelmente grave da repulsa manifestada por certas figuras políticas quando são confrontadas com determinadas críticas.
Não digo com isto que a ausência de Marcelo me afecta particularmente. Nunca pautei as minhas opiniões por ninguém, muito menos por Marcelo Rebelo de Sousa. Aliás, muitas vezes critiquei as suas observações e abordagens no espaço que tinha na TVI. Mas já me incomoda tremendamente que as opiniões que um indivíduo exprimia num órgão de comunicação independente fossem suficientes para despoletar uma reacção própria do mais puro fascismo por parte do governo.
Ao contrário de Luís Delgado e outros excrementos pseudo-jornalísticos – cada vez mais comuns nos nossos média –, Marcelo recusou-se a escancarar as pernas aos desígnios políticos de uma coligação psicótica, paranóica e com aversão patológica à liberdade de expressão. Marcelo inoculava veneno? Sim. Marcelo manipulava? Sem dúvida. Mas – e aqui reside a diferença entre um país com cultura democrática e esta choldra lusitana – Marcelo era um opinativo num espaço de opinião. Apenas isso. As pessoas espantam-se muito que em Inglaterra haja uma Spectator desde 1828, que continua a pontificar nas críticas mais violetas a Blair (lembrar capa de um número de 2003, onde, numa caricatura, o líder trabalhista e Bush aparecem deitados na cama um com o outro), que os EUA tenham um Daily Show, onde a actividade mais corrente é lançar Bush nas ruas da amargura (só falta mesmo chamarem-lhe explicitamente «atrasado mental») ou que em França haja um Canard Enchaîné, jornal satírico que, desde 1915, põe de rastos a vida política francesa. Claro que tudo isto espanta quando vivemos num lugar estranho onde não é concebível haver um espaço aberto de crítica ao governo (recordar a extinção da Noite da Má-língua ou a banalização do Contra-Informação) e onde os políticos são tratados com canídea reverência por parte dos jornalistas numa simbiose asquerosa de interesses comuns. Pior: onde quem faz opinião (daí a ironia do episódio Marcelo), geralmente está filiado a um partido.
Infelizmente continuamos – e continuaremos – a viver numa ditadura pluripartidária (um tenebroso oxímoro político, é verdade), onde não é concebível uma crítica, uma observação nem ao Governo nem à classe política.

A Vila

M. Night Shyamalan é, na melhor das hipóteses, um galhofeiro que tanto goza com as personagens que cria como com os espectadores que assistem aos seus filmes. A Vila é o melhor exemplo deste comportamento imoral. O filme promete, o filme ameaça. A todo o momento, espera-se o pior. E, quando ele chega, temos o vácuo. Nada. Rigorosamente nada. Era tudo uma farsa. Não havia perigo. Não havia monstros. Ou, se quisermos, até havia. Não no bosque, mas sim para lá dele, onde está a Civilização. O bosque e as putativas criaturas que habitariam nele eram apenas um pretexto para afastar os habitantes da vila de qualquer contacto com o exterior, com os perigos da cidade, com a adoentada vida moderna, com os seus assassinos e psicopatas variados.
Não digo, porém, que o filme seja um excremento absoluto. Os actores são bons. A fotografia, embora decepcione um pouco – esperava um ambiente mais ao estilo de Sleepy Hollow – não é má de todo. O enredo, esse – em jeito de Utopia, o lugar perfeito, com vidas perfeitas, com relações perfeitas, onde a presença do Mal é rejeitada – parece-me excelente e indicado para nos alertar do perigo das ideologias. É ter em conta que a única personagem malévola no filme acaba castigada por não ser normal, por romper com a bonomia que reina na vila.
Agora, este tipo de enredo não pertence ao domínio do terror. E é esse exactamente o logro do filme: promete-se à audiência o ambiente próprio de um filme de terror e o que a audiência recebe são apenas breves momentos de susto, interrompidos por longas dezenas de minutos de puro tédio.
Pode-se dizer que um dos grandes elementos do medo é precisamente a antecipação, o crescendo do suspense. De acordo. Mas se esse contrato previamente estabelecido com o espectador é gorado na altura errada no filme (que é o que sucede em A Vila), o enredo perde-se completamente e o espectador sente-se traído. E mais traído ainda quando o Sr. Night Shyamalan aparece fugidiamente na película despreocupadamente a ler um jornal, com ar de desdém, enquanto os espectadores levam as mãos à cabeça a pensar no dinheiro que gastaram no bilhete para vir ver o filme. Não há direito.

sábado, outubro 09, 2004

Bush/Kerry

Ainda a refazer-me da noitada anterior, assisti ao debate entre Bush e Kerry. Para quem é iletrado, Bush até esteve bastante à vontade a responder às perguntas do auditório, para além de ter assumido uma postura muito mais dinâmica do que no debate anterior. Kerry, por seu lado, parece-me que não vai a lado nenhum. O seu discurso é sempre o mesmo: “Concordo com o Presidente, mas acho que farei melhor.” Este tipo de abordagem é, pura e simplesmente, meio caminho para a derrota. Para além disso, Kerry é pouco claro e contraditório tanto nas críticas como nas propostas que apresenta.
Para imensa tristeza do «mundo inteiro», Bush irá vencer em Novembro.

sexta-feira, outubro 08, 2004

Twilight Zone

Então deixem-me ver se eu percebo: Carlos Carvalhas, que é ladrão de tesouras de podar no AKI, informou que o Primeiro-ministro (que é um degenerado megalómano) terá ameaçado o Presidente da República (que, por sua vez, batia na ex-mulher e é actualmente casado com uma criatura que tragicamente se parece com uma drag-queen).
Pergunta consequente: que diabo de país é este?

Concorrência desleal

Coisa curiosa: Marcelo fora da TVI consegue bater a Quinta das Celebridades nas audiências.

O-Zone

No curso deste Verão surgiram-me duas dúvidas existenciais: porquê o êxito estrondoso dessa coisa chamada O-Zone e que diabo significava a letra da canção regurgitada com tanta sofreguidão pelo trio romeno? As respostas estão aqui. As duas!

Ainda os para-olímpicos

Caro Cirilo,
de facto, a imprensa desportiva neste país é inexistente. Tudo o que temos são três pasquins que se babam com as intrigas de dirigentes de clubes de futebol e rigorosamente mais nada. Ora isso não é imprensa desportiva, nem imprensa futebolística. Muito menos imprensa, na única acepção do termo.

Tender is the night

Ontem, às 2 da manhã, se me pedissem para escolher entre Najaf e Lisboa para passar a noite, eu escolhia, sem pensar duas vezes, Najaf. E isto porque, apesar das bombas, dos suicidas e dos tarados fundamentalistas, Najaf está longe de ter a neurose psicótica de Lisboa. Comecemos pelo início: depois de me deitar, perto da 1 da manhã, apercebo-me de um imenso chavascal sonoro vindo da rua. Vou à janela, tento escutar com atenção e concluo que haverá uma festa nas imediações. Saio à rua e pergunto aos homens do lixo qual a origem geográfica da orgia. Eles desconhecem, mas apontam em direcção da Gulbenkian. Corro rápida e insanemente para o jardim, apesar de achar estranhíssimo que um pesadelo sonoro daquelas proporções pudesse estar a decorrer no único local civilizado de Lisboa. Chegado à Gulbenkian, deparo-me com dois polícias, exactamente tão atónitos como eu, e coloco a questão da praxe. Eles também não me sabem responder, mas supõem que a festa poderá vir dos lados do Parque Eduardo VII!
Completamente exasperado, faço um sprint até à 17ª Esquadra e questiono os agentes presentes sobre aquela situação. Finalmente, obtenho a tão aguardada resposta: trata-se de uma festa académica da Faculdade de Economia, em São Sebastião, autorizada pelo Governador Civil para durar até às 3 da manhã! Perante tão vil sentença, levo as mãos à cabeça e grito “filhos da puta” aos funcionários da Câmara Municipal de Lisboa para regozijo dos polícias.
Antes de partir, questiono se hove mais queixas para além da minha, e os agentes respondem afirmativamente, e que as festividades chegam a ouvir-se na zona do aeroporto!
Despeço-me dos polícias, retorno a casa e volto a deitar-me.
Escusado será dizer que a festa foi para lá das 3 da manhã.

P.S.: peço solenemente o nome, morada e número de telefone do Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Nova. Por favor.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Pouco nobre

Luís Nobre Guedes, que calhou ser Ministro do Ambiente, decidiu mandar demolir casas clandestinas na área protegida na Serra da Arrábida. Os ambientalistas deviam aplaudir a iniciativa? Deviam. Mas só se Nobre Guedes não se tivesse lembrado de abrir regime de excepção à sua casa clandestina, por azar, situada na área protegida da Serra da Arrábida.
Depois, queiram-me convencer de que este país não está nas patas de mafiosos.

A quinta

Muito se discorreu neste santo país sobre a Quinta das Celebridades. Ainda bem. Porque agora que o programa começou, convém fazer silêncio. Silêncio ante tamanha inefabilidade.

sexta-feira, outubro 01, 2004

É a vida

Apesar de Moore, apesar de Woodward, apesar de Clarke e apesar do destemido Dr. Louçã, Bush vencerá em Novembro. Kerry é oposição, mas oposição fraca, demasiado fraca.
E os americanos sempre desconfiaram de alternativas fracas.

UEFA

Custa-me a crer que haja equipas tão más a frequentar a Taça UEFA. E não estou a falar do Rapid. Muito menos do Bystrica.

Deixá-los

Os para-olímpicos trouxeram 12 medalhas para Portugal. Alguma bandeira? Alguma buzinadela? Alguma deslocação em massa para festejos públicos? Não. Zero.
Deixá-los. São apenas deficientes...