Sem Emenda

Contacto

sexta-feira, outubro 08, 2004

Tender is the night

Ontem, às 2 da manhã, se me pedissem para escolher entre Najaf e Lisboa para passar a noite, eu escolhia, sem pensar duas vezes, Najaf. E isto porque, apesar das bombas, dos suicidas e dos tarados fundamentalistas, Najaf está longe de ter a neurose psicótica de Lisboa. Comecemos pelo início: depois de me deitar, perto da 1 da manhã, apercebo-me de um imenso chavascal sonoro vindo da rua. Vou à janela, tento escutar com atenção e concluo que haverá uma festa nas imediações. Saio à rua e pergunto aos homens do lixo qual a origem geográfica da orgia. Eles desconhecem, mas apontam em direcção da Gulbenkian. Corro rápida e insanemente para o jardim, apesar de achar estranhíssimo que um pesadelo sonoro daquelas proporções pudesse estar a decorrer no único local civilizado de Lisboa. Chegado à Gulbenkian, deparo-me com dois polícias, exactamente tão atónitos como eu, e coloco a questão da praxe. Eles também não me sabem responder, mas supõem que a festa poderá vir dos lados do Parque Eduardo VII!
Completamente exasperado, faço um sprint até à 17ª Esquadra e questiono os agentes presentes sobre aquela situação. Finalmente, obtenho a tão aguardada resposta: trata-se de uma festa académica da Faculdade de Economia, em São Sebastião, autorizada pelo Governador Civil para durar até às 3 da manhã! Perante tão vil sentença, levo as mãos à cabeça e grito “filhos da puta” aos funcionários da Câmara Municipal de Lisboa para regozijo dos polícias.
Antes de partir, questiono se hove mais queixas para além da minha, e os agentes respondem afirmativamente, e que as festividades chegam a ouvir-se na zona do aeroporto!
Despeço-me dos polícias, retorno a casa e volto a deitar-me.
Escusado será dizer que a festa foi para lá das 3 da manhã.

P.S.: peço solenemente o nome, morada e número de telefone do Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Nova. Por favor.